A cabeça muda

Desde que fiquei grávida eu tenho pensado a sério a minha carreira. Não que eu não tenha pensado à sério antes, mas como um alien que toma conta da gente, a idéia de estar grávida tem mudado minha forma de lidar com algumas coisas.

Começa pelo fato de eu não estar conseguindo me concentrar como antes. Estou escrevendo e lá pelas tantas me bate algo eu abro o navegador e começo a procurar sobre o assunto: Pode ser a semana de gravidez, pode ser algum conselho para o pai, pode ser sobre o parto (o assunto da semana), ver preços de berços, brinquedos, etc…

Eu acho estranho ficar pensando nessas coisas porque, apesar de eu saber que estou grávida, enjoar, não caber mais em algumas roupas (isso é chaaaatooooo muito chaaaaaatooooo) e estar com o humor oscilante e sentir de vez em quando algo duro lá dentro (meu utero), o bichinho não se manifesta, faz semanas que eu não o vejo e só sei que ele está um pouco maior que uma noz porque eu li isso.

Mas voltando o assunto trabalho. De uma hora para outra tudo que parecia ser importante passou a ser secundário. Sem minha consulta. Semana passada participei de uma mesa redonda e na terça dei uma palestra. Se fosse há algum tempo atrás eu estaria super feliz, vibrando, super nervosa e com o egodzilla lá em cima pelos convites. Hoje não. Eu estava mais ou menos calma com a situação, feliz achando tri legal, gostando do reconhecimento, mas dentro da normalidade.

Acho que isso se refletiu nos dois encontros onde eu tentei ser o mais simples e sincera possível nas minhas explanações. E a parte que eu mais curti foi falar com o pessoal, adorei a parte da perguntas. Gostaria que tivessem perguntado mais.

Esses dois encontros me fizeram sentir saudades de lecionar. Mas daí…

Daí voltamos a minha mudança de prioridades, enquanto a Fernanda workaholic quer resolver os problemas do mundo a Fernanda mãe quer é esvaziar a cabeça, chegar em casa, arrumar as gavetas, deitar no sofá da sala, bater um papo com o bebê – ou ainda – conversar com o Tiago sobre o se vamos nos mudar, será que ele é normal, ver um filme, o que tem pra janta, pega no meu pé?

Quer dizer, se antes eu tinha uma pálida idéia do que ia ocorrer nos próximos dois anos, tinha alguns planos As, Bs e Cs agora tudo está em branco a partir de maio.

Talvez seja uma chance de mudar de rumo, tentar coisas novas. Claro que a maioria das pessoas pensa que com filhos vem mais responsabilidades (certo) e que pro isso tem que buscar estabilidade (errado). Se um filho dá forças para enfrentar qualquer coisa, porque não enfrentar algo diferente? A vida já está de pernas pro ar mesmo.

Deu pra entender?

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