Vivo e se mexendo.

Talvez de todos os dias da minha gravidez, até agora, esse tenha sido o mais esperado. Até agora a maior preocupação dos médicos era se a placenta tinha se fixado bem por conta da retirada do DIU. Mas o que eu queria saber mesmo é se o bebê era normal e se estava vivo.

O exame que afasta a possibilidade da maior parte das malformações, entre elas a sindrome de down, é a translucência nucal. O exame dá 95% de certeza e, se tudo correu bem e você é menor de 35 anos, não são necessários procedimentos mais invasivos como a aminiocentese.

Desde que foi marcado eu contava os dias para esse exame. Queria saber se ele era normal e, o que andava me assombrando nos ultimos dias, se estava vivo. Eu sei que nessa época a gente não sente o bebê, ele é minúsculo, está dento de uma baita bolsa de água. Mas o fato da mãe moderna aqui não ver o bichinho me deixava inquieta. E para isso eu tinha que esperar até a 12 semana.

Bom a tensão que eu devia sentir hoje foi amainada pela corte que me acompanhou. Pela primeira vez o Tiago resolveu ir e ver e, no meio da semana minha irmã se escalou para ir. Ela também se escalou para ir para a sala de parto, o que é uma sorte porque o Tiago parece bem relutante em ir.

Como Murphy manda, para variar, o carro resolveu nos deixar na mão. O alarme não desarmava. Por sorte a Dani tinha vindo de carro. depois foi procurar o laboratorio na maçaroca que é o setor hospitalar sul. Cheguei atrasada mas a fila de pessoas na minha frente indicava que esse não seria um problema.

Era mais um laboratório com revistas “QUEM” que para mim deveria ser chamada de “QUEM aguenta ler?” e frio como o inferno. Sorte que eu tinha levado algumas revistas, quanto ao frio, deu.

O exame ficou marcado para as 9:45 então os dois mortos de fome, Tiago e Dani, foram comer na praça de aliemntação, nenhum dos dois tinha tomado café. Os dois se serviram a mais só para me atentar com algums coisas gostosas. Dez minuto depois estávamos de volta, mais uma hora depois eu era finalmente atendida.

De início achei que a médica estranharia a comitiva que me acompanhava para ver o bebê, mas na sala haviam três cadeiras para a ‘platéia’. Sinal que este é um evento concorrido. Me tranquei no banheirinho para por a dita camisola. A unica coisa queu eu ouvi das recomendações foi amarrar a camisola de frente. Bom, se tem alguém masi enrolado em provar roupa e trocar de roupa em consultório sou eu. Tirei toda a roupa e botei a camisola, dai eu me dei conta que isso seria ridiculo, vesti o sutiã e a camiseta e quase deixei a camisola cair no chão. Segurei com os dentes. vesti a camisola – do avesso, retirei de novo com medo de arrebentar aquela droga e ter que pegar outra.

Nervosa eu? ‘Magina.

Sai me sentindo um fardo amarrado. Sentei na cadeira. Eu tremia. A médica perguntou se eu estava nervosa.

- Sim…um pouco.

Sentei na cadeira. Não eu já contei isso. Bom, começamos o exame. Pareceu interminável aquele período até a bolsa aprecer.

E lá estava ele, dando cambalhotas :)

O bichinho não parava de se mexer. Lá pelas tantas o Tiago se manifestou – É ele se mexendo mesmo? – A médica confirmou e parou de mexer “a coisa”. Foi muito legal, ele virava para um lado, para outro, ficava de bunda, de cabeça….um sarro :)

Quando ele se aquietou um pouco a médica começou a medir. Tudo normal…quando chegou na hora da translucencia nucal eu respirei fundo – ela mediu, passou os números para a assistente ver os intervalos. Eu já tinha ouvido os números e sabia que estava tudo normal, mas não soltei a respiração até ouvir a confirmação.

Contiuou as medidas, mede útero, mede cabeça, lá pelas tantas eu ouço um suspiro alto – me viro: O Tiago duro num canto, mal respirando e do outro a Dani com os olhos vermelhos. Me virei para ver a reação deles de novo na hora de ouvir o coração. O Tiago mais tarde disse que sentiu um baque, mas na hora, os dois pareciam vidrados na telinha.

O resto foi pro forma, ela colocou todos os dados dele numa planilha e mostrou um gráfico de normalidade. Tomara que não seja apenas uma estratégia para acalmar mães de primeira viagem, ansiosas com o filha, porque estava tudo bem…bem no meio da curva de normalidade.

Terminado o exame, desci e fui me limpar. Só ouvia o Tiago e a Dani perguntando e comentando o exame com a médica.

Pegamos o exame e fomos para a casa.
Mais tarde no mercado, tive que me segurar para não comprar a primeira peça de roupinha.

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