Dar o passo
Domingo foi um dia pralá de chato. Acordamos cedo para o Tiago levar a Lili para o aeroporto. A Dani não ligou, acho que estava afim de curtir o namo sozinho. Também não liguei, acho que eles mereciam um tempinho a sós.
O Tiago saiu de tarde para jogar e eu fiquei lá, arrumando a casa e vendo a Supenanny. Tomei um banho, li um livro e joguei um pouco de mahjong no Ubuntu.
A noite chegou, vimos O Aprendiz e eu sem sono. Tava zapeando, o “Canal das Mãos” e a mulher que fala de sexo no SBT se despediu - Hora de desligar, pensei - Foi quando o filme do fim de noite começou…
Já vi “Alta Fidelidade” umas cinco vezes. A primeira vez no cinema. Sozinha, se bem me lembro, com um final de namoro ainda entalado na garganta. Me lembro da Patricia pondo o cd para ouvirmos na Pathinder e da fortuna que paguei pelo mesmo cd para, tempos depois, vê-lo na prateleira de descontos da Multisom. Me lembro do Mário ouvindo Let’s get it on deitado no tapete. Era primeiro de janeiro. Eu acabei conseguindo o cartaz do filme e dei de presente para ele.
Esse era o tempo dos sem-amor, da dor de cotovelo que eu e alguns amigos passávamos. Eu me perguntava porque estava sozinha e ao mesmo tempo, que raios, o que eu queria da vida.
A segunda vez que eu me lembro de ver o filme foi na casa dos meus pais, após um longo período sem ir para Santa Maria. Estranhei o fato do pai ter escolhido o filme e resolvi vê-lo de madrugada. Naquela época, mais calma, eu encucava com o do que era feito um relacionamento de verdade. Depois devo ter visto mais outras vezes, uma me lembro, queria anotar a trilha porque de primeira “orelhada” a trilha do cd não me batia com a do filme.
Ontem foi a terceira vez que eu vi o filme de uma forma diferente. Faz algumas semanas que eu me preocupava com a rotina minha e do Tiago. Deixamos de fazer certas coisas. E eu espero algumas coisas, atitudes dele. As vezes eu não sei o que eu quero. Tenho medo que a nossa rotina mate o nosso relacionamento.
Vi o filme pensando em todas essas coisas. Até onde a rotina mata o relacionamento, o medo de se tornar irmãzinha/amiguinha, a vontade de crescer, o medo de entrar em descompasso, de acabar seguindo caminhos diferentes. Prestei mais atenção nela, esperando o cara crescer e andar junto. Ele a culpando por ter “mudado”. Ela acabou cansando e foi embora. Ela amava o cara mas tinha ficado sem opções. Não queria muito, só que ele saísse daquela mesmisse. Por sorte, ou talvez por ser um filme, a ficha cai e ele resolve dar “o passo”.
Foi estranho constatar que o mesmo filme espelhasse momentos tão diferentes da minha vida. Desencanei um pouco com meu medo da rotina. Não, a vida não é um filme, nem um livro, mas eles ajudam a ver as coisas sob outro ponto de vista.
Fui dormir descansada, afinal o domingo não foi um dia completamente perdido.
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Hum, essa coisa de rotina também me preocupa. Eu era até neurótica, mas às vezes um pouquinho de rotina é necessária até pra gente se achar na vida.
Mas uma coisa que faço é manter uma lista com coisas que se quer fazer: categorias de lazer, gastronomia, viagens, passeios em poa e fora de poa… Quando a coisa tá meio repetitiva, a gente pega a lista. Quando vemos algo legal, pegamos a lista de novo… É divertido planejar a lista e é divertido cumprir. Tem de tudo: desde pôr do sol no guaíba até sushi em tokio =) Tudo a seu tempo.