Muitas de mim

Tenho ouvido antigas músicas e despertando antigos hábitos. Coisas de uma época que passou e deixou ensinamentos.

Ontem costurei uma faixa para usar por baixo das batas, que teimam em exibir meu sutiã. Usei as pernas de uma calça velha, há muito que virou bermuda e há muito que foi doada. As pernas eu sempre guardo, coisas que a mãe da gente põe na nossa cabeça de forma quase imperceptível.

Me lembrei da época que eu ‘customizava’ minhas roupas, antes disso virar forma e esses termo ser inventado. Eu não era punk, mas eu nunca curti as roupas tais como eram entregues nas lojas – ombreiras, golas altas, resquícios da década perdida. A tesoura corria solta…eu queria mesmo mostrar a alça do sutiã, da regata. Quando aprendi serigrafia na faculdade perdia parte do meu tempo criando estampas e imprimindo em camisetas e moletons.

Bons tempos… mas eu também tinha raiva, impaciência e não entendia a marcha lenta dos que andavam comigo. Durante um tempo eu não entendia e não aceitava, meu humor mordaz afastou algumas pessoas, que nunca fizeram falta. Se por um lado descobri meus melhores amigos sendo desse jeito, notei que além dos grandes filhas-da-puta, eu estava afastando pessoas sem dar o tempo de conhecê-las.

Etapa 2, já depois de formada, alguns anos de trabalho, aprendo que não é crime imperdoável as pessoas não seguirem meu ritmo. Diminuo o ritmo e vario os projetos 0-de que adianta acabar as coisas em dois dias se o resto da equipe ainda rumina o que deve ser feito?

Outra coisa, de que adianta idéias brilhantes se depois que vc sair elas vão ser jogadas aos porcos? Deve ser construído um alicerce sólido, cuja uma das bases é poder deixar herdeiros, criar discípulos…

Anos a mais redescubro que algumas pessoas merecem mesmo um pé no traseiro e que tem vagabundo que só funciona na base da ameaça e do grito. E que eu não preciso levar ao pé da letra a história de respeitar o ritmo dos outros. Eu sou o cara do tambor que marca o compasso da galera.

E nesse acelera/acompanha eu busco um equilíbrio…Etapa 3.

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