Estranho

Eu não sei se ocorre com outras mães…mas, putz. Volta e meia eu olho pra Sofia e digo: – que estranho…

Estranho o fato de eu ter uma filha. Estranho ver um mini-mim. Eu sempre sonhei com uma filha parecida comigo – mas Sofia, apesar de ter algumas coisas do pai, é quase o meu clone.

Parece um sonho que eu vou acordar a qualquer momento. “Eu? Ahn…piada! Como alguém como eu posso ter uma filha?”

Mas ela está lá, firme. Ri quando acorda, reclama antes do banho. Brinca na água. Se eu não dou a escova, arma o berreiro para pôr a roupa.

Sim, ela existe. Sim, ela é real. Sim, ela é o parasita mais fofo que aportou na face da Terra. Não me deixa dormir, mal me deixa comer, por milagre me dá preciosos minutos de folga. Mas eu amo, AMO aquela criaturinha de pouco mais de meio metro que bagunçou toda a minha vida. Grávidas reclamam de aliens em seus corpos? Esperem até eles nascerem…

Acho que reacendi meu descolamento de personalidade com a Sofia. Antigamente me olhava no espelho e não me reconhecia: “Quem tu és?” – “Eu sou a Fernanda” – “Quem sou eu?”

Sério…várias vezes me olhei no espelho e não me reconheci. Ficava lá, julgando a estranha no espelho. Depois, relaxei…mas agora, como mãe, parece que esse “descolamento” voltou.

É estranho…
Muito estranho…

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