Natal é…(parte 1 de algumas)
Antes que me encham o saco. Sim eu sou atéia.
Mas vamos falar francamente. O natal é uma grande junção de comemorações religiosas e a data de 25 de dezembro está relacionada ao nascimento do deus persa Mitra. Essa religião era muito popular na época e da qual a igreja católica aproveitou muito de seus ritos e da sua mitologia. O natal é o pouco que sobrou da fé em outros deuses do passado.
Ah sim, não consta que existiam pinheiros enfeitados no lado da manjedoura.
Então não tenho receio de dizer que comemoro o natal sim. Como uma tradição familiar. Não tenho pruridos com esse papo nhenhenhém que o natal virou consumo. É consumo, é festa, é hora de ver os parentes e fazer algumas pessoas ficarem felizes por ganharem presentes. Ganhar presente é bom sim. Melhor ainda se o presente surpreende a pessoa, se vc realmente achou algo que a pessoa gostasse.
Eu adoro dar presente.
Esse vai ser o primeiro ano que passo o natal longe da família. Vai ser estranho. Meus pais sempre “bolam” algo inusitado, algo pequeno, mas de coração. Os preparativos, minha irmã cozinhando. Quando a parentada chega, os primos, as namoradas, ver como envelhecemos mais um ano. Ver minha vó. Ver meu padrinho. O povo fumante se amontoando na sacada (que fica imunda no final da noite). A bagunça da abertura dos presentes (sempre tem presente perdido no fim da noite), os abraços, as felicitações de feliz natal. A comilança. Pratos sujos, os mais novos querendo partir para festa, os moderados dançando na sala e os calmos conversando nos sofás. Zé e Caia, tios de coração, eles sempre aparecem.
Nas últimas vezes eu caía de sono antes do último parente deixar a casa. Meus pais tem feito o rescaldo grosso. Eu curto acordar pela manhã e ficar na sala, admirando um pouco os restos da festa antes de arrumar o que é preciso (quase sempre a sacada).
O almoço é sempre na casa da vó. Povo de ressaca, mulheres matraqueando, crianças brincando.
Vou sentir falta esse ano. Muita falta.