Espelho, espelho meu… (parte 1)

Confesso uma coisa: Adoro olhar mulheres*. Desde pequena, no vestiário feminino da natação. Curvas, proporções. Fico tentada a pedir: – Espera um pouco! Deixa eu te desenhar!

Na falta de um caderno cheio de rascunhos que comprove digo: não há mulher feia. Há as que não se gostam.

Claro que há defeitos: uma gordura alí, um peito caído lá, um descuido mais adiante. Mas, dificilmente, o conjunto é desproporcional. Há sempre um sorriso, uma personalidade, uma covinha, uma curva, uma história.

Me lembro da amiga que tinha um nariz que lhe dava uma personalidade especial (tive várias amigas assim, nenhuma delas acho, precisava realmente de uma plástica, mas no caso desta em particular). Eu achava aquele nariz lindo, era uma Mona Lisa latina. Depois de confessar o que pensava num café, ela me falou que eu fui uma das duas únicas pessoas que disse que o serviço tinha ficado bom, mas que gostava do antigo. Ela falou que estava feliz porque agora enxergava em 180 graus. Tive que concordar que, se era por isso, a cirurgia tinha sido boa.

E sorte que o médico não “falquejara” o nariz. Dá pra ver um nariz falquejado de plástica a distância. Um dia me peguei olhando fixo para uma colega de aula. Uma amiga minha, notando o minha cisma (e a falta completa de interesse na aula), me perguntou o que havia. – Algo não fecha – respondi. Na minha cabeça uma série de linhas, curvas eram traçadas e o resultado era sempre inconclusivo. Minha amiga, ao deduzir minha cisma, matou a charada: – Ela fez plástica.
Sim, ela tinha feito. O nariz, arrebitado, lindo, destoava pelas pequenas proporções no rosto de contornos vitorianos. Uma pena.

A partir daí, por esporte, treino de visão, passei a notar qualquer nariz “reformado”. Até um dia, vendo o jornal, cismei com o Romário. Sim, ele refez o nariz para parecer mais novo.

(A medida que envelhecemos, nosso nariz e orelhas caem e ficam maiores. Se você fuma, esse processo se acelera de forma exponencial. Porisso muita gente nova que fuma diz que não dá nada. Mas espere até os quarenta. O que para os outros será uma descida tranquila, para o fumante será morro abaixo sem freios).

Não sou contra a plástica, ou qualquer outra intervenção cirúrgica que faça a pessoa se sentir melhor. Desde que seja feita de forma consciente. Sou contra sim, à banalização. A meninas colocando silicone antes dos 18, a mulheres que não conseguem dormir, viver, sair, ou amar por conta de centimetros a mais de culote. Mulheres escravas da aparência e da moda, as que tentam parecer tão novas quanto as suas filhas, que se mutilam, inexpressivas a agulhadas de botox**. Burro também é o salto, que deforma tanto a coluna quanto os pés. Já nos basta a depiladora, a manicure e o cabeleleiro.

E a TV, revistas nos vendem isso. Hoje me apavoro quando leio a capa da NOVA. Para mim aquilo é “A revista da mulher neurótica”. Tem bem mais mulher expondo a pele (photoshopada) em poses sensuais que muita revista masculina. Você tem que saber o “cama sutra***” de cor, nada tremer enquanto transa, tem bumbum, barriga, tudo durinho (ou como um amigo gay disse uma vez – mulher com abdomen de homem), ser mãe, amante e profissional perfeita. Ahhhh pobre mulher que não pode soltar um flato na frente do parceiro de anos. Ele pode te trair! E você tem que ser magra, mas muiiito magra, comer só alface, maçãs e cenouras. Viva a ditadura do cabide humano! A Gisele Bundchen tem um rosto lindo e é super-simpática mas usá-la como referencia de beleza feminina é burrice. É como usar o Michael Jordan como parâmetro de beleza masculina. Ambos foram “talhados”, tem um biotipo incomum que lhes favorece nas suas profissões. Mas 99,99…% da população mundial não é nem modelo, nem jogador de basquete.

Então, amiga, relaxe: Mens sana in corpore sano.

Uma vez me disseram que mulheres se arrumam para outras mulheres (dado isso, devo ser macho, porque não ligo). E homem que é macho gosta da mulher do jeito que ela é, com todas suas curvas, falta de, defeitinhos e contradições.

Como ia dizendo, não conheço mulher feia. Conheço as inseguras, as sem-amor-próprio. Toda mulher confiante é linda aos olhos dos outros****.


* Homens são legais, servem para o que servem. Mas na aparência são retos, ruins de desenhar. Não gosto de músculos hipertrofiados então para mim é muito difícil desenhar um homem.
**Meu novo passatempo desde que notei o queixo “congelado” da Cristiane Torloni. Eu cismo muito quando algo “não fecha”.
*** Assim mesmo.
**** Resumindo Aisha: Baranga é o codenome drag-queen do infeliz que te deixar.

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2 Responses to Espelho, espelho meu… (parte 1)

  1. Ogro says:

    Verdade. Só mulher e viado acha mulher anoréxica bonita. Homem gosta de curvas.

  2. Aishazinha says:

    Fê, claro que não sofri ameaças de divórcio.
    Só que eu aumentei o peso por pura gula, com essa coisa do Gilles ir embora, comemos demais em novembro e dezembro e eu criei uma pancinha que não me pertence. E fiquei mal porque ela não é de idade, não é de trabalhar demais, é puro desleixo meu. Não quero ficar uma mega gostosa, até porque meu biotipo nem é desse feitio, quero é ter o corpo que eu olhe no espelho e saiba que é meu mesmo, e não o fondue do mês passado que comi até passar mal. Estávamos muito naquelas de ir nos locais de comida boa, pagar o livre e comer até sair quase vomitando, porque comer pouco é ‘desperdício de dinheiro’. Tou me reeducando pra comer o suficiente pra sentir satisfeita, sem essa de sair rolando da mesa.
    Fora que exercício físico é bom, natação é algo que queria fazer faz tempo, mas só agora tomei a decisão definitiva :]

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