Meu avô relutou muito antes de fazer bodoques para as netas. Fez primeiro para os netos, bem mais novos, mas as netas, especialmente duas (eu, uma delas) se adonaram do brinquedo.
Eu nunca matei passarinho, gato ou o que fosse com meu bodoque. Eu preferia fazer tiro ao alvo, montada no muro, acertando aleatoriamente coisas no pátio do vizinho (que parecia abandonado).
Hoje, na malcriação diária dos adultos no trânsito sinto falta do meu bodoque.
Para acertar a lataria do mal-educado que entrou em fila dupla.
Para acertar o vidro traseiro do imbecil que correu, correu, correu só para ultrapassar a gente pela esquerda.
Para acertar o capacete ou o cotovelo do motociclista que quase provocou um acidente e ainda sai fazendo gestos com as mãos.
Não seriam pedras. Talvez aquelas balas de tinta do paintball.
Eu quero um desses:
