Esse era o título de uma redação que eu tive que fazer em 1983. Na época eu tinha oito anos e muitas poucas preocupações. Só me preocupava com os bichinhos, especialmente as baleias, caçadas sem dó. Sempre acabava com um nó na garganta ao assistir “Mundo Animal” na TV.
Só aos 11 anos acordei minha mãe, pois não conseguia dormir por conta do buraco na camada de ozônio e do efeito estufa. Minha mãe me deu um pito e me levou de volta pra cama.
Acho que o conteúdo da redação da época refletia essa minha preocupação. Cuidar dos bichinhos, cuidar da minha família.
Agora tem 100 milhões rolando por aí. Torço que muita gente ganhe e o prêmio seja muito bem dividido. Fiz uns joguinhos mas, segundo umas estimativas toscas de jornal, é mais fácil ser canonizado do que acertar os números. Imagina eu, atéia?
Mas sonhar custou cerca de R$44,00. Se eu ganhar, o que farei com o dinheiro?
Primeiro eu passaria os dois primeiros meses indo normalmente ao trabalho para deixar tudo em ordem. Em casa montaria um plano, procuraria as pessoas certas para me aconselhar em como por meus planos em prática.
Depois deixaria uma parcela considerável para meus pais e os pais do Tiago para lidarem com os parentes pidões (sempre tem). Ajudaria a dona Mariana a abrir o negócio dela e arrumar a casa. Mas se ela topasse continuar de babá das gurias seria ouro.
Senão, já teria babás em vistas em Porto Alegre para onde pretendemos voltar. Teria mais um filho e adotaria mais dois.
Compraríamos um terreno legal e transformaria parte dele em reserva ambiental. Construiria uma casa ecologicamente correta, seguindo princípios de permacultura.
Criaria um fundo para ajuda para instituições que cuidam de causas justas, sem vínculos com alguma religião.
Fundaria uma distribuidora de impressos, com um modelo de negócios revolucionário. Criaria uma empresa de captação e reciclagem de lixo eletrônico.
Passaria a maior parte do tempo em casa, cuidando dos meus filhos e desenhando livros infantis. Viajaria e levaria meus filhos para conhecer o mundo, talvez de barco. Acordaria cedo para trabalhar na horta.
Não me preocuparia mais em ganhar dinheiro, mas como administra-lo bem e de forma justa.
E talvez, no final da minha vida, eu fosse canonizada