Preocupações de mãe

Andava pensando nas minhas resoluções de Ano Novo. Ano passado, decidi que não teria nenhuma, pois a vinda da Alice viraria meu mundo de pernas pro ar – mais uma vez.
O que eu conseguisse realizar seria lucro.

Esse ano pensava em me empenhar em algo. Pensei em, finalmente, levar o inglês a sério e dar um jeito de entrar em forma.
Agora acho que são atitudes um tanto egoístas…

Tem uma coisa que me incomoda. Sempre me incomodou, mas desde que me tornei mãe, isso ganhou uma dimensão que eu tenho dificuldades em lidar.

Que é ver crianças sofrendo, em dificuldades.

Ter um filho é algo que qualquer irresponsável pode ter. Você pode ser proibido de dirigir, esperar até os dezesseis para votar, ser considerado incapaz em diversas funções. Mas qualquer mané pode ter um filho. Aliás, se a mulher engravidou – mesmo sendo a mulher mais maluca, tapada, destemperada – é obrigado a conceber a criança, nem que seja para abandona-la logo depois.

E criar um filho dá um trabalhão. É gostoso, se você realmente quer ter filhos. Mas é uma responsabilidade que muita gente não está preparada. Filho é algo que não pertence a gente. só estamos ali do lado, para dar apoio, ensinar e dar carinho. Brincar, ouvir ele cantar e cantar junto. Dar bronca e castigo quando necessário, ensinar os limites. Um dia eles vão embora, bem antes já devem andar pelas próprias pernas.

Filhos, crianças precisam, sobretudo, de amor. De sentir que tem alguém onde possam procurar a segurança de um colo.

Porisso quando vejo crianças que não tem nada disso, que são traídas por aqueles que as deviam proteger, eu fico triste. Completamente perdida e impotente, incapaz de resolver o problema de todas essa crianças.

Também me revolto com esses juizes que sentam a bunda em cima dos processos durante anos, dificultam a adoção por casais homossexuais, como se opção sexual de uma pessoa influísse no amor que ela terá pela criança. Insensíveis e insensatos.

(Por mim, para cada ano que uma criança ficasse num abrigo o juíz responsável deveria tomar uma martelada nos genitais).

Desde que as gurias nasceram, não deixo de pensar um dia nas crianças que tem menos sorte que elas. Não sou uma mãe perfeita, mas estou aqui e tento fazer o meu melhor. Pensamos em adotar, num futuro próximo. Acho que todo mundo que pensa em ser pai, ou quer ter um filho, se pudesse deveria adotar também uma criança.

Ouço tanta besteira sobre adotar. Crianças de “gênio ruim”, “não sabe pelo que passou”. Como se a família do sem-noção não tivesse seus podres, colesterol alto e a tia Etelvina vive com 20 gatos e lava as mãos a cada meia hora. Mas isso é conversa pra mais tarde.

Criança tem personalidade sim, mas seu destino não é traçado pelo histórico dos pais. Uma criança não pode ser condenada pelo que os pais fizeram.

Então, minha resolução de ano novo é fazer algo por essas crianças. Pelo menos por algumas delas. Não tenho bem certeza do que, nem como. Mas vou dar um jeito.

Comments are closed.