Rápidas impressões sobre a China (parte 1)



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Para quem não sabe, fui para Shanghai- China, onde fiquei uns seis dias. A missão era dar uma palestra de 30 minutos, fazer uma visita técnica e uma entrevista.

Shanghai não é um retrato da China, mas é como uma piscina rasa para quem está aprendendo a nadar, dando uma idéia para o ocidental de como é aquele país, onde o estranho é você.

Foram dois dias indo e dois dias voltando. Mais ou menos, porque não há relógio que resista a uam virada de quase 12h. Apesar de não ter sentido a diferença de fuso na ida a volta me derrubou. Parte por meu cérebro não ter conseguido absorver toda a informação que recebeu nesses dias.

Nunca tive um interesse real em ir para China. Países onde é vetada a liberdade de alguém dizer o que acha do governo me despertam antipatia imediata. Mas a oportunidade bateu, entrei de cabeça.

O pouco que sabia – sei sobre a China e os chineses veio da autobiografia da Pearl Buck – o que me foi de grande ajuda para etender o povo e o que acontecia em volta.

Entrar de cabeça. Tomar um café da manhã chinês – com direito a sopa de macarrão, milho, as sete da manhã. Andar de metrô. Ir até a Praça do povo à pé, perguntando onde estava através da universal língua de sinais. Tentar comer algo num restaurante. Voltar entre nove e dez da noite ao hotel, após pegar um bentô num quiosque ou Family Mart. Ver filmes e séries japonesas, coreanas legendadas em mandarim. Cair dura na cama e recomeçar tudo no outro dia.

Shanghai é uma São Paulo que tomou ácido. Tudo mundo colorido, iluminado (até as 23h). Muita gente andando para lá e para cá. Lambretas na calçada, trânsito caótico – o povo adora buzinar – com pessoas e carros se atravessando enquanto um guarda grita ordens. Apesar do caos, não vi ninguém ser atropelado.

E muito, muito poluído. Não vi um dia de céu azul. Sentia a poluição se depositar no meu corpo durante o dia. Teve vezes que foi dificil respirar.

Algumas pequenas coisas que aprendi:

  • Mandarin é uma língua difícil. E cada chinês fala de um jeito. É frustrante tentar se comunicar.
  • Quase ninguém fala inglês (como no Brasil). É bom sempre sair com o endereço do hotel anotado para caso de se perder (alguns oferecem cartões com o endereço do hotel e de algumas atrações turísticas).
  • os táxis são baratos e tabelados (Mas há taxis piratas, mais numerosos em regiões de turismo e à noite, que cobram o que você tiver).
  • E não há como se misturar aos locais, você é um estrangeiro, está na sua cara.
  • Teve papel higiênico em quase todos os lugares que eu fui. Quase todos os modelos eram ocidentais.
  • O pessoal joga lixo na rua e ninguém é preso por isso. Nem me deram uma revista com a cara do Mao. também não fui presa por passar uma amassada e suja.
  • Cartão de crédito com chip não funciona em boa parte dos lugares. Clonaram o cartão de um dos caras que foi comigo. Vá com dinheiro, é mais seguro e dá menos dor de cabeça.
  • Você pode argumentar, explicar, reclamar. O chinês vai sorrir e fazer do jeito dele.

Por hora é isso. Quando der, escrevo mais sobre a viagem.

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