42 – Música.

Nasci quando Gita tocava no rádio. Depois que a minha mãe contou eu vivia procurando significados, conexões da minha vida com a música.

Também ouvia “Metamorfose ambulante” e “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, essa última muitas vezes confundia com Gita.

Não vou dar um peso exagerado a essas músicas quando digo que elas formaram meu modo de filosofar sobre o mundo. Elas e outras.

Mas Raul fez essa música FODA no ano que eu nasci.

Não sei cantar, mas a música faz parte da minha vida. Meus pais e familiares cantando, com violão até altas horas da madrugada. Boa parte MPB. Meu pai fazia parte de uma banda quando jovem e faz agora, com mais de sessenta.

Minha irmã e minha mãe dizem que cantam (elas cantam, mas as vezes acho meio forçado). Eu não canto. Não acho que cante. Já me dei bem em ensaio de coral, mas nunca fui a fundo.

Mas gosto de música. Gosto de trabalhar ouvindo música. Gosto de montar trilhas, gostava de gravar fitas. Adorava experimentar coisas novas nas locadores de cds.

Eu tinha toda discografia do Nirvana, do REM, do Queen em fitas. Fazia capas, escrevia os títulos das musicas no verso, uma trabalheira que eu amava.

Logo que a MTV veio para o Brasil pensei em trabalhar com videoclipes, fazia storyboards das minhas ideias (algumas melhores que os clipes que mais tarde vi – ão, não mudei de ideia com o tempo).

Demorei a gostar de rock nacional. Gostava da Rita Lee (e era o mais perto de modelo feminino não convencional que eu tinha à mão por muito tempo).

As vezes é difícil curtir algo que vc entende a letra. Musica estrangeira dá para fingir que o lance é mais profundo.

Com o tempo curti Paralamas (Severino é meu álbum predileto deles), Mutantes, Pato Fu…

Mutantes, um namorado sempre me dava um álbum deles no meu aniversário – Natal. Um dia imaginei que se comprasse os títulos que me faltavam o namoro acabaria.

Comprei.

O cara me pôs um par de chifres e me passou HPV.

Mas não deixei de gostar de Mutantes por isso. Em compensação troquei todos os meus CDs do Pink Floyd por alguns da Madonna (2 por 1) e completei – na época – minha discografia do Pato Fu.

Fui a poucos shows de rock. Não tenho esse culto a um artista e dificilmente ficaria semanas numa barraca esperando na fila. Mas adoro Pato Fu, não perco um show deles. Mesmo abaixo de chuva.

Tenho escutado “Life on Mars” do David Bowie antes de começar a trabalhar na tese.

Mas, agora, eu entendo as letra.
Mesmo confundindo com “Space Oddity”.

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