A casa (parte 2)

Continuando sobre a casa (do terror).

Eu me lembro da casa que morei na Riachuelo, lá em Santa Maria. Era cheia de lesmas, aranhas, baratas e ratos. Meu pai alugara porque…bom tinha um pátio.

Me lembro que, nos primeiros anos, até era bom. Tinha um balanço e o pátio ficava mais ou menos limpo.

Não vou dizer que não fui feliz naquela casa. Mas os bichos e a facilidade que ela tinha de acumular lixo e coisas nojentas me assustava. Eu não dormia de noite por conta dos ratos correndo no nosso telhado. Eu tinha nojo de sair no pátio durante o inverno e chuvas por conta das lesmas. E ainda tinha o veneno, as ratoeiras em todos os lugares. Eu morria de medo de tudo aquilo.

Além disso a Riachuelo é uma rua com uma das descidas mais perigosas e movimentadas de Santa Maria, eu não conhecia as crianças da vizinhança porque era impraticável brincar na rua ou andar de bicicleta.

Eu sonhava viver num bairro mais afastado e ter amigos. Eu nunca tive muitos amigos. Morar numa casa mais limpa e sem ratos ou baratas.

A casa que estamos me lembra, muito, a casa que morei na Riachuelo. Por isso não quero ficar muito tempo aqui. Não tem baratas (tem moscas e uma eventual barata do campo), Não tem ratos, mas temos um gambá que mija em todo o sótão.

As gurias pararam de usar o banheiro delas por conta do gambá. O mijo acaba escorrendo por uma das paredes. Estamos tentando retirar o bicho, mas ele se enfia entre o forro e o telhado. Onde ninguém alcança.

Assim, negocio, penso que é apenas o tempo de terminar o doutorado, aí eu penso em algo. Se o proprietário do imóvel do lado da pousada morrer, eu quero comprar a propriedade. Mas aqui, nesse bairro, é tudo 2 milhões, quatro…como vamos fazer?

E a proprietária ainda teve a pachorra de aumentar o aluguel. Assim, da cabeça dela, sem levar em conta nenhum índice. E a casa está afundando no centro, está cheia de problema, mas ela não quer gastar.

#tahcerto

As vezes dá raiva. Ela se aproveita porque diz ser “amiga” da minha sogra. Mas amigos não aumentam em quase 50% o aluguel. Ela queria passar o aluguel de R$2.000,00 pra R$2.800,00. Que raio de amiga é essa, que alga a casa, quase dobra o aluguel e não dá as condições mínimas de moradia? Ela morre de medo da gente e, sei lá, o que combinou com minha sogra. Eu disse que pagava mais uns 200, que é um pouco acima do IGPM.

Porque a casa estava um lixo antes de chegarmos. Limpamos, consertamos e trocamos muitas coisas. O Tiago refez praticamente TODA a fiação elétrica da casa.

Agora, desde dessa, tentamos manter a casa limpa, principalmente as áreas que as crianças andam. Mas, na boa, quanto mais cedo sairmos daqui, melhor.

A casa tem muitos cantinhos e texturas criadas apenas porque, possivelmente, a proprietária nunca pegou num pano para tirar o pó. São reentrâncias e reentrâncias, que acumulam pó, sujeira e bichinhos.

Mas as vezes tudo que a pessoa quer na casa é a “aparência”. É uma casa grande, uma mansão. Mas não é prática. Ela pe mal dividida e, por estar em Gramado, é uma tragédia em termos de aquecimento e manutenção de temperatura. As vezes parece que tudo foi feito para “parecer” e não “para ser”

Exemplo: Há coisas cenográficas na casa. Coisa de ver e não de usar, como a cozinha.

O que minha sogra me disse é que eles não cozinhavam. isso fica bem visível pela forma que a cozinha foi feita. Quando chegamos, tinha uma coifa. Velha, cheia de gordura e ferrugem, cozinhei o primeiro ano com ela lá, morrendo de medo e nojo que aquele grude caísse na comida.

Um dia enchi o saco e pedi para Tiago tirar a coifa. Ela estava apenas presa ao teto, sem nenhum cano de conexão ou exaustor para fora. Na coifa, o buraco por onde entraria a longarina estava vedado como vindo de fábrica.

Não há espaço para fogão. Meu amado fogão ficou na pousada, substituindo o velho (para felicidade das funcionárias da cozinha). Tive que comprar um fogão elétrico (coisa que odeio). Há um cooktop, cujas bocas estavam enferrujadas. Troquei quase tudo, grades, tampos. O gás fica bem longe e, em tempos de governo golpista, o gás é um problema.

Tanto que voltamos a usar chuveiro elétrico. Mesmo a luz sendo uma das mais caras do sul (RGE), ainda vale mais a pena.

A cozinha é projetada, mas o material é tão vagabundo que apenas deixar uma gota d´água em cima do móvel, o compensado já faz bolha. Tivemos que tirar o filtro e coloca na bancada de drinks.

Sim, temos uma bancada de pedra tão alta que não serve pra nada. O espaço não foi feito para cozinhar para uma familia de 4 pessoas. A pia é minúscula e não há lugar para preparar os alimentos. O fogão tem duas bocas boas, o resto uso para aquecer. Tenho que ter disciplina e senso de organização se vou fazer feijão, carne e arroz num dia. Tenho que começar duas horas antes, no mínimo.

Coloquei o filtro e uso de apoio para passar os pratos. Tinha dois bancos de bar, que minha sogra levou para a proprietária, porque eu tinha deixado os dois no porão.

E ela ainda reclama. De mim.

Um dia sairemos daqui. E que não me peçam pra dar boas referencias.

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