Archive for the ‘Biografia autorizada’ Category

Wishlist de aniversário

Tuesday, January 19th, 2010

brigadeiro!

Sou avessa a aniversários. Não pelo avançar da idade, tenho orgulho de dizer que vou fazer 35 anos, mas não curto comemorações.

Prefiro refletir no que fiz no ultimo ano, o que posso fazer nesse.
Também não espero muitos presentes, falando do material eu tenho tudo o que preciso, quero e um pouco mais.

Mas resolvi montar uma wishlist de aniversário, um tanto diferente.

Minha wishlist de aniversário

  • Um livro livre – Pegue um livro que tenha te inspirado muito e deixe-o num banco de praça, no assento do ônibus ou metrô. Deixe que ele inspire outra pessoa.
  • Um dia sem carne – Fique um dia sem comer carne, ou pelo menos uma refeição. Não sou vegetariana, mas concordo que comemos carne demais. Eu estou reduzindo, me dê uma força :)
  • Um boa ação – Separe roupas, doe coisas. Ajude alguém a atravessa a rua ou carregar as compras. Ceda o seu assento. Não precisa ser na data do meu aniversário, pode atrasar um pouco.
  • Uma mudança de hábito – Leve uma caneca para o trabalho, não use copos plásticos. Não imprima material à toa. Se tiver pique, comece a separa o lixo em casa.
  • Um pequeno sacrifício – Se tens carro, dia 20, deixe ele na garagem e pegue um ônibus. Aproveite para observar as pessoas em volta.
  • Uma árvore – Plante uma árvore, pode ser virtual mesmo.

Bom, era isso. Acho que nenhum presente é muito caro ou extravagante.
Espero que tenham gostado da ideia.

O mundo em 82

Monday, May 18th, 2009

Nas últimas semanas estive vasculhando os arquivos online da Veja no ano de 82 à procura de anuncios feitos pelo Ziraldo. Foi uam viagem no tempo. Na época eu tinha 7anos, recém tinha aprendido a ler, então muito do que ficou foram memórias visuais daquelas revistas que eu folheava na casa do meu avô (e no consultório do dentista).

Era um mundo bem diferente do que é hoje. Ainda viviamos sob o regime militar. Existia censura e reserva de mercado. Ou seja, nada de música com palavrão e vinho bom, só se você fosse rico. O governo anunciava o proalcool como um programa vitorioso e o Maluf aparecia nas capas das revistas sem estar ligado a nenhum escandalo. O computador recém chegava – as empresas (nem se cogitava ter um computador em casa). O videocassete tinha aportado nos lares em 81 e era a nova coqueluche – assim como as telas planas são hoje. O controle remoto tinha fio. O efeito estufa era apenas uma hipótese cientifica tratada em duas páginas na seção de ciências. Coca-cola litro vinha em embalagem de vidro, assim como o Nescafé e a Maionese. As propagandas mostravam toda a feiura dos nossos carros (chamados mais tarde de carroças pelo Fernando Color quando presidente) talvez porisso exaltavam suas caracteristicas utilitárias, não o design. Tão ruins quanto os carros eram nossos vinhos, beneficiados também pela reserva de mercado. Os cigarros apareciam como grandes anunciantes, mostrando pessoas saudáveis de sucesso, ou praticando esportes radicais. A quarta capa era sempre de uma marca de cigarro. E eram tantas que era um dos ítens do jogo “Stop” que jogávamos na casa da vó com folhas de caderno e canetas velhas.

As musas dos garotos “liam” Playboy eram garotas gordinhas retocadas apenas com maquiagem e iluminação. Ainda se vendia enciclopédia por cupons. Era ano da Copa Mundial de futebol e me lembro o dia que o Brasil perdeu para a Itália. Eu chorava junto com os adultos sem saber porquê. A emoção foi tanta na casa que eu devo ter decidido naquele momento nunca mais gostar de futebol.

Se um dia eu casar

Wednesday, April 16th, 2008

Seguindo a onda casamenteira que aportou na ndi, apresento a vocês meu vestido de noiva:

Isso mesmo! Vermelho e sem vergonha!

Madonna

Thursday, April 3rd, 2008

Ando re-ouvindo Ray of Light. Comprei o cd após uma desilusão daquelas. Como o antigo namorado detestava Madonna, parecia apropriado.

Acontece que o CD é muito bom. Tão bom, quanto outro dela que eu gosto muito – Like a Prayer. O cd é redondo, bem construído – mesmo as “lado B”. Dá para ouvir de faixa a faixa. E os clips estão entre alguns dos melhores da Madonna.

Mas o que mostra que o cd é tão bom, bom, bom é que, apesar de estar numa fase da vida bem diferente é que não me saía da cabeça a música Drowned World/ Substitute for Love. O clipe é lindo e, de certa forma, retrata o que eu venho passando.

Estou re-ouvindo o cd de uma forma completamente diferente.

Chegar em casa e ver a Sofia é uma benção que tenho todos os dias.

E eis que…

Wednesday, March 19th, 2008

No meio desses dias tão conturbados, tenho sonhado com o passado.
Hora de ligar para amigos queridos há tanto esquecidos…

*****
Hoje foi parcialmente estranho. Sonhei com tudo que eu queria dizer a uma certa pessoa – e nunca tive chance. Conversávamos numa boa, eu contava como estava agora e como estava feliz.

Ia dar aulas na mesma universidade, estava um pouco nervosa com as mudanças de rumo, etc…

Acordei quentinha, como se tivesse lavado a alma.

Natal é…(parte 1 de algumas)

Friday, December 7th, 2007

Antes que me encham o saco. Sim eu sou atéia.

Mas vamos falar francamente. O natal é uma grande junção de comemorações religiosas e a data de 25 de dezembro está relacionada ao nascimento do deus persa Mitra. Essa religião era muito popular na época e da qual a igreja católica aproveitou muito de seus ritos e da sua mitologia. O natal é o pouco que sobrou da fé em outros deuses do passado.

Ah sim, não consta que existiam pinheiros enfeitados no lado da manjedoura.

Então não tenho receio de dizer que comemoro o natal sim. Como uma tradição familiar. Não tenho pruridos com esse papo nhenhenhém que o natal virou consumo. É consumo, é festa, é hora de ver os parentes e fazer algumas pessoas ficarem felizes por ganharem presentes. Ganhar presente é bom sim. Melhor ainda se o presente surpreende a pessoa, se vc realmente achou algo que a pessoa gostasse.

Eu adoro dar presente.

Esse vai ser o primeiro ano que passo o natal longe da família. Vai ser estranho. Meus pais sempre “bolam” algo inusitado, algo pequeno, mas de coração. Os preparativos, minha irmã cozinhando. Quando a parentada chega, os primos, as namoradas, ver como envelhecemos mais um ano. Ver minha vó. Ver meu padrinho. O povo fumante se amontoando na sacada (que fica imunda no final da noite). A bagunça da abertura dos presentes (sempre tem presente perdido no fim da noite), os abraços, as felicitações de feliz natal. A comilança. Pratos sujos, os mais novos querendo partir para festa, os moderados dançando na sala e os calmos conversando nos sofás. Zé e Caia, tios de coração, eles sempre aparecem.

Nas últimas vezes eu caía de sono antes do último parente deixar a casa. Meus pais tem feito o rescaldo grosso. Eu curto acordar pela manhã e ficar na sala, admirando um pouco os restos da festa antes de arrumar o que é preciso (quase sempre a sacada).

O almoço é sempre na casa da vó. Povo de ressaca, mulheres matraqueando, crianças brincando.

Vou sentir falta esse ano. Muita falta.

Abrindo o baú de lembranças

Monday, October 15th, 2007

Lembranças são boas amigas quando estamos sozinhos. Aquele tremor gostoso do inicio do relacionamento não vai se repetir.

Foi o primeiro dia que eu dormi na casa do Tiago. Era uma sensação gostosa, algo novo. Tinha ido no quartinho enquanto ele…não lembro onde ele tinha ido. Metida, tinha resolvido dobrar as roupas que estavam amontoadas em cima do sofá. Queria dar um jeito na casa, sem me meter muito, afinal.. Tinha um aparelho de som e um cd. Botei para tocar enquanto ia arrumando as coisas.

O cd era a trilha sonora do Ghost in the Shell – Stand alone complex. fazia um calorzinho gostoso e eu abri a janela do quartinho. Eu sentia uns dez anos a menos. Eu sentia como se tivesse enfiado o dedo numa tomada. Eu sentia como se tivesse ganho um bilhão de dólares em barras de ouro (que valem mais que dinheiro). Eu sentia como se tivesse acabado de mergulhar numa piscina. Eu me sentia leve como um passarinho.

Eu estava muito, mas muito muito mesmo, imensamente feliz.

Estranho

Thursday, October 4th, 2007

Eu não sei se ocorre com outras mães…mas, putz. Volta e meia eu olho pra Sofia e digo: – que estranho…

Estranho o fato de eu ter uma filha. Estranho ver um mini-mim. Eu sempre sonhei com uma filha parecida comigo – mas Sofia, apesar de ter algumas coisas do pai, é quase o meu clone.

Parece um sonho que eu vou acordar a qualquer momento. “Eu? Ahn…piada! Como alguém como eu posso ter uma filha?”

Mas ela está lá, firme. Ri quando acorda, reclama antes do banho. Brinca na água. Se eu não dou a escova, arma o berreiro para pôr a roupa.

Sim, ela existe. Sim, ela é real. Sim, ela é o parasita mais fofo que aportou na face da Terra. Não me deixa dormir, mal me deixa comer, por milagre me dá preciosos minutos de folga. Mas eu amo, AMO aquela criaturinha de pouco mais de meio metro que bagunçou toda a minha vida. Grávidas reclamam de aliens em seus corpos? Esperem até eles nascerem…

Acho que reacendi meu descolamento de personalidade com a Sofia. Antigamente me olhava no espelho e não me reconhecia: “Quem tu és?” – “Eu sou a Fernanda” – “Quem sou eu?”

Sério…várias vezes me olhei no espelho e não me reconheci. Ficava lá, julgando a estranha no espelho. Depois, relaxei…mas agora, como mãe, parece que esse “descolamento” voltou.

É estranho…
Muito estranho…

Adaptação e morte

Monday, August 27th, 2007

Minhas poucas horas de sono tem sido agitadas…sonhos do tipo “E se…”. Sonho que peço demissão, sonho que sou demitida, sonho que volto para POA, para Santa Maria, me mudo para diversas casas diferentes, todas réplicas oníricas de casas que frequentei durante a minha vida. Nada nos sonhos é novo, apenas uma mistura maluca de lembranças passadas tentando montar uma possível visão do futuro baseada nos meus temores.

Sei que ler ou ouvir sobre sonhos de outras pessoas é chato, então quem quiser pode parar de ler agora mesmo. Hoje sonhei que o Tiago tinha morrido. O sonho começou num lugar meio que um internato, eu e outras três pessoas dormindo num mesmo quarto. Eu estava sem entender como tinha ida parar ali. Corria pelos corredores (que eram parecidos com o colégio que frequentei). Aos poucos conversando com outras pessoas ia me lembrando que tinha uma casa, filhos e que o Tiago tinha morrido. O sonho acabou comigo resolvendo que ia embora dali, procurar meus filhos e recomeçar a vida.

Foi um sonho triste. Sempre sonhei com a morte de um ente querido e seus desdobramentos. Quando criança tinha medo que um dos meus pais morresse enquanto eu dormia na casa de alguma amiguinha, eu dificilmente dormia fora.

Aos poucos eu fui domando esse medo da morte. Até pouco tempo atrás a frase “E se eu morresse hoje” era o começo da minha avaliação do dia, poucos antes de dormir. Era uma espécie de meditação onde eu dava as coisas o peso devido e via o que eu poderia manter ou mudar no outro dia. Até a pouco tempo eu não tinha problemas em morrer no dia seguinte. Com a Sofia essa perspectiva mudou.

No trabalho ninguém é insubstituível. Basicamente vc é mais um dentre os bilhões de seres humanos que transitam por aí. Podem sentir a sua falta, o serviço do fulano pode não ter o seu capricho nem a sua paixão, mas logo vc é uma página virada e superada.

Não é bem assim quando vc é mãe, ou pai. Agora eu tenho uma responsabilidade, algo que não posso abandonar no meio do caminho. Entendi o que quer dizer – Mãe tem medo de morrer.

No sonho eu roubava as moedas da mulher que dormia na cama ao lado para fugir.
Volta pro armário esqueleto!

Baú

Thursday, August 2nd, 2007

A vinda da Sofia abriu quartos e caixas no meu cérebro que eu jurava já ter desocupado, dispensado, posto em ordem, resolvido.

Lembro de lugares, presentes, situações, antigos brinquedos, sabores. E isso vem de bem antes do parto, mas parece que agora abriu de vez.

Sonho com pessoas, lembro de nomes. Converso com essas pessoas tentando por diferenças em dia, coisas que eu devia, gostaria de ter falado e nunca disse. Lembranças antigas de mais de década, coisas de infância e adolescência mesmo.

O passado não se muda, nem eu quero, mas é bom lembrar e ver pessoas que ha muito não vejo mais. É bom saber o que eu realmente sinto em relação a eventos passados e como eu me sinto bem, tendo superado até os mais difíceis. Eu acordo leve.

Hoje abri gavetas reais e arrumei algumas coisas recentes. Tenho certeza que as gavetas imaginárias do quarto de lembranças estão em ordem.