Se um dia eu casar

April 16th, 2008

Seguindo a onda casamenteira que aportou na ndi, apresento a vocês meu vestido de noiva:

Isso mesmo! Vermelho e sem vergonha!

Madonna

April 3rd, 2008

Ando re-ouvindo Ray of Light. Comprei o cd após uma desilusão daquelas. Como o antigo namorado detestava Madonna, parecia apropriado.

Acontece que o CD é muito bom. Tão bom, quanto outro dela que eu gosto muito - Like a Prayer. O cd é redondo, bem construído - mesmo as “lado B”. Dá para ouvir de faixa a faixa. E os clips estão entre alguns dos melhores da Madonna.

Mas o que mostra que o cd é tão bom, bom, bom é que, apesar de estar numa fase da vida bem diferente é que não me saía da cabeça a música Drowned World/ Substitute for Love. O clipe é lindo e, de certa forma, retrata o que eu venho passando.

Estou re-ouvindo o cd de uma forma completamente diferente.

Chegar em casa e ver a Sofia é uma benção que tenho todos os dias.

E eis que…

March 19th, 2008

No meio desses dias tão conturbados, tenho sonhado com o passado.
Hora de ligar para amigos queridos há tanto esquecidos…

*****
Hoje foi parcialmente estranho. Sonhei com tudo que eu queria dizer a uma certa pessoa - e nunca tive chance. Conversávamos numa boa, eu contava como estava agora e como estava feliz.

Ia dar aulas na mesma universidade, estava um pouco nervosa com as mudanças de rumo, etc…

Acordei quentinha, como se tivesse lavado a alma.

Natal é…(parte 1 de algumas)

December 7th, 2007

Antes que me encham o saco. Sim eu sou atéia.

Mas vamos falar francamente. O natal é uma grande junção de comemorações religiosas e a data de 25 de dezembro está relacionada ao nascimento do deus persa Mitra. Essa religião era muito popular na época e da qual a igreja católica aproveitou muito de seus ritos e da sua mitologia. O natal é o pouco que sobrou da fé em outros deuses do passado.

Ah sim, não consta que existiam pinheiros enfeitados no lado da manjedoura.

Então não tenho receio de dizer que comemoro o natal sim. Como uma tradição familiar. Não tenho pruridos com esse papo nhenhenhém que o natal virou consumo. É consumo, é festa, é hora de ver os parentes e fazer algumas pessoas ficarem felizes por ganharem presentes. Ganhar presente é bom sim. Melhor ainda se o presente surpreende a pessoa, se vc realmente achou algo que a pessoa gostasse.

Eu adoro dar presente.

Esse vai ser o primeiro ano que passo o natal longe da família. Vai ser estranho. Meus pais sempre “bolam” algo inusitado, algo pequeno, mas de coração. Os preparativos, minha irmã cozinhando. Quando a parentada chega, os primos, as namoradas, ver como envelhecemos mais um ano. Ver minha vó. Ver meu padrinho. O povo fumante se amontoando na sacada (que fica imunda no final da noite). A bagunça da abertura dos presentes (sempre tem presente perdido no fim da noite), os abraços, as felicitações de feliz natal. A comilança. Pratos sujos, os mais novos querendo partir para festa, os moderados dançando na sala e os calmos conversando nos sofás. Zé e Caia, tios de coração, eles sempre aparecem.

Nas últimas vezes eu caía de sono antes do último parente deixar a casa. Meus pais tem feito o rescaldo grosso. Eu curto acordar pela manhã e ficar na sala, admirando um pouco os restos da festa antes de arrumar o que é preciso (quase sempre a sacada).

O almoço é sempre na casa da vó. Povo de ressaca, mulheres matraqueando, crianças brincando.

Vou sentir falta esse ano. Muita falta.

Abrindo o baú de lembranças

October 15th, 2007

Lembranças são boas amigas quando estamos sozinhos. Aquele tremor gostoso do inicio do relacionamento não vai se repetir.

Foi o primeiro dia que eu dormi na casa do Tiago. Era uma sensação gostosa, algo novo. Tinha ido no quartinho enquanto ele…não lembro onde ele tinha ido. Metida, tinha resolvido dobrar as roupas que estavam amontoadas em cima do sofá. Queria dar um jeito na casa, sem me meter muito, afinal.. Tinha um aparelho de som e um cd. Botei para tocar enquanto ia arrumando as coisas.

O cd era a trilha sonora do Ghost in the Shell - Stand alone complex. fazia um calorzinho gostoso e eu abri a janela do quartinho. Eu sentia uns dez anos a menos. Eu sentia como se tivesse enfiado o dedo numa tomada. Eu sentia como se tivesse ganho um bilhão de dólares em barras de ouro (que valem mais que dinheiro). Eu sentia como se tivesse acabado de mergulhar numa piscina. Eu me sentia leve como um passarinho.

Eu estava muito, mas muito muito mesmo, imensamente feliz.

Estranho

October 4th, 2007

Eu não sei se ocorre com outras mães…mas, putz. Volta e meia eu olho pra Sofia e digo: - que estranho…

Estranho o fato de eu ter uma filha. Estranho ver um mini-mim. Eu sempre sonhei com uma filha parecida comigo - mas Sofia, apesar de ter algumas coisas do pai, é quase o meu clone.

Parece um sonho que eu vou acordar a qualquer momento. “Eu? Ahn…piada! Como alguém como eu posso ter uma filha?”

Mas ela está lá, firme. Ri quando acorda, reclama antes do banho. Brinca na água. Se eu não dou a escova, arma o berreiro para pôr a roupa.

Sim, ela existe. Sim, ela é real. Sim, ela é o parasita mais fofo que aportou na face da Terra. Não me deixa dormir, mal me deixa comer, por milagre me dá preciosos minutos de folga. Mas eu amo, AMO aquela criaturinha de pouco mais de meio metro que bagunçou toda a minha vida. Grávidas reclamam de aliens em seus corpos? Esperem até eles nascerem…

Acho que reacendi meu descolamento de personalidade com a Sofia. Antigamente me olhava no espelho e não me reconhecia: “Quem tu és?” - “Eu sou a Fernanda” - “Quem sou eu?”

Sério…várias vezes me olhei no espelho e não me reconheci. Ficava lá, julgando a estranha no espelho. Depois, relaxei…mas agora, como mãe, parece que esse “descolamento” voltou.

É estranho…
Muito estranho…

Adaptação e morte

August 27th, 2007

Minhas poucas horas de sono tem sido agitadas…sonhos do tipo “E se…”. Sonho que peço demissão, sonho que sou demitida, sonho que volto para POA, para Santa Maria, me mudo para diversas casas diferentes, todas réplicas oníricas de casas que frequentei durante a minha vida. Nada nos sonhos é novo, apenas uma mistura maluca de lembranças passadas tentando montar uma possível visão do futuro baseada nos meus temores.

Sei que ler ou ouvir sobre sonhos de outras pessoas é chato, então quem quiser pode parar de ler agora mesmo. Hoje sonhei que o Tiago tinha morrido. O sonho começou num lugar meio que um internato, eu e outras três pessoas dormindo num mesmo quarto. Eu estava sem entender como tinha ida parar ali. Corria pelos corredores (que eram parecidos com o colégio que frequentei). Aos poucos conversando com outras pessoas ia me lembrando que tinha uma casa, filhos e que o Tiago tinha morrido. O sonho acabou comigo resolvendo que ia embora dali, procurar meus filhos e recomeçar a vida.

Foi um sonho triste. Sempre sonhei com a morte de um ente querido e seus desdobramentos. Quando criança tinha medo que um dos meus pais morresse enquanto eu dormia na casa de alguma amiguinha, eu dificilmente dormia fora.

Aos poucos eu fui domando esse medo da morte. Até pouco tempo atrás a frase “E se eu morresse hoje” era o começo da minha avaliação do dia, poucos antes de dormir. Era uma espécie de meditação onde eu dava as coisas o peso devido e via o que eu poderia manter ou mudar no outro dia. Até a pouco tempo eu não tinha problemas em morrer no dia seguinte. Com a Sofia essa perspectiva mudou.

No trabalho ninguém é insubstituível. Basicamente vc é mais um dentre os bilhões de seres humanos que transitam por aí. Podem sentir a sua falta, o serviço do fulano pode não ter o seu capricho nem a sua paixão, mas logo vc é uma página virada e superada.

Não é bem assim quando vc é mãe, ou pai. Agora eu tenho uma responsabilidade, algo que não posso abandonar no meio do caminho. Entendi o que quer dizer - Mãe tem medo de morrer.

No sonho eu roubava as moedas da mulher que dormia na cama ao lado para fugir.
Volta pro armário esqueleto!

Baú

August 2nd, 2007

A vinda da Sofia abriu quartos e caixas no meu cérebro que eu jurava já ter desocupado, dispensado, posto em ordem, resolvido.

Lembro de lugares, presentes, situações, antigos brinquedos, sabores. E isso vem de bem antes do parto, mas parece que agora abriu de vez.

Sonho com pessoas, lembro de nomes. Converso com essas pessoas tentando por diferenças em dia, coisas que eu devia, gostaria de ter falado e nunca disse. Lembranças antigas de mais de década, coisas de infância e adolescência mesmo.

O passado não se muda, nem eu quero, mas é bom lembrar e ver pessoas que ha muito não vejo mais. É bom saber o que eu realmente sinto em relação a eventos passados e como eu me sinto bem, tendo superado até os mais difíceis. Eu acordo leve.

Hoje abri gavetas reais e arrumei algumas coisas recentes. Tenho certeza que as gavetas imaginárias do quarto de lembranças estão em ordem.

Uma coisa que eu sinto falta…

April 29th, 2007

Uma coisa que eu sempre senti falta foi de um grupo de amigas. Dessas de se sentar junto numa tarde e jogar conversa fora. Não que eu nunca tenha participado de um grupo assim, mas eles não criaram raízes, o pessoal se dispersou, etc. No colégio eu andava com uma turma mas tinha pouca identificação com elas: não me interessava por garotos, roupas de marca, fofocas. Eu já era ecologista, adorava animais, lia muito e me interessava por música, não Kiss (a escolha dos garotos) ou menudo (das garotas). O fato de eu realmente não estar nem aí para o fato do Tom Cruise ser liiindo, ou achar o guri que sentava no fundão um gato, realmente me prejudicava nas relações. Faltava assunto. Eu bem que tentava acompanhar a onda, me adequar…mas era sem coração.

Por incrível que pareça foram os guris os salvadores do meu total ostracismo. Durante anos meu circulo de amigos se restringia ao circulo masculino. Discutíamos música, quadrinhos livros, faziamos projetos, ia a baladas. Eu podia falar o que quisesse sem censura. Eu sabia que era desejada por alguns, cuidada como uma irmãzinha por uns poucos e uma amiga esquisita na concepção de outros. Lembro de cada um desses caras com muito carinho, mas nunca pude pintar as unhas com eles.

Durante muito tempo eu cheguei a pensar que nunca teria um grupo de amigas, que não existiam mulheres que pensassem, falassem sobre outro assunto que não fosse aquele mundo cor-de-rosa. E isso durou até o desenho industrial. Lá foi estranho, pois além de conhecer mulheres como eu (e confirmar que somos uma minoria), conheci as gurias que estavam no meio termo - gostavam de garotos, e roupas, de pintar as unhas - mas eram fortes em suas convicções e falavam o que lhes vinha à cabeça, sem medo de retaliações.

Andei com aquela turma um bom tempo, aprendi a conviver com as muitas diferenças existentes entre nós. Cada uma com seus pontos fortes e defeitos. Depois eu namorei um cara e cometi o velho erro de me afastar daquela turma. Quando o namoro acabou já tínhamos cada uma ido para um lado diferente do mundo.

Em poa reencontrei velhos amigos e armamos nossa ilha por lá. Conheci outras amigas, mas nunca mais tive aquele grupo de gurias que andam juntas, quase como irmãs.

Porisso quando eu vejo isso, me bate uma inveja (boa) danada e vontade de estar aí. Pois é gurias, isso que vocês têm vale ouro.

Muitas de mim

March 26th, 2007

Tenho ouvido antigas músicas e despertando antigos hábitos. Coisas de uma época que passou e deixou ensinamentos.

Ontem costurei uma faixa para usar por baixo das batas, que teimam em exibir meu sutiã. Usei as pernas de uma calça velha, há muito que virou bermuda e há muito que foi doada. As pernas eu sempre guardo, coisas que a mãe da gente põe na nossa cabeça de forma quase imperceptível.

Me lembrei da época que eu ‘customizava’ minhas roupas, antes disso virar forma e esses termo ser inventado. Eu não era punk, mas eu nunca curti as roupas tais como eram entregues nas lojas - ombreiras, golas altas, resquícios da década perdida. A tesoura corria solta…eu queria mesmo mostrar a alça do sutiã, da regata. Quando aprendi serigrafia na faculdade perdia parte do meu tempo criando estampas e imprimindo em camisetas e moletons.

Bons tempos… mas eu também tinha raiva, impaciência e não entendia a marcha lenta dos que andavam comigo. Durante um tempo eu não entendia e não aceitava, meu humor mordaz afastou algumas pessoas, que nunca fizeram falta. Se por um lado descobri meus melhores amigos sendo desse jeito, notei que além dos grandes filhas-da-puta, eu estava afastando pessoas sem dar o tempo de conhecê-las.

Etapa 2, já depois de formada, alguns anos de trabalho, aprendo que não é crime imperdoável as pessoas não seguirem meu ritmo. Diminuo o ritmo e vario os projetos 0-de que adianta acabar as coisas em dois dias se o resto da equipe ainda rumina o que deve ser feito?

Outra coisa, de que adianta idéias brilhantes se depois que vc sair elas vão ser jogadas aos porcos? Deve ser construído um alicerce sólido, cuja uma das bases é poder deixar herdeiros, criar discípulos…

Anos a mais redescubro que algumas pessoas merecem mesmo um pé no traseiro e que tem vagabundo que só funciona na base da ameaça e do grito. E que eu não preciso levar ao pé da letra a história de respeitar o ritmo dos outros. Eu sou o cara do tambor que marca o compasso da galera.

E nesse acelera/acompanha eu busco um equilíbrio…Etapa 3.