300

Ontem chamei o Tiago para assistir 300. Eu sei, o filme está em cartaz há tempos mas o cinema aqui em Brasilia é caro, então prefiro pegar salas mais calmas sem tantos aborrecentes e adultos sem modos, que conversam alto e atendem celulares como se estivessem em casa.
Claro que não escapamos de um gordo bolorento, que sentou perto (4 cadeiras) de nós com aquele balde gigantesco de pipoca fedida e um outro balde de coca-cola. O protótipo do escroto de cinema, que não demorou a atender o celular e soltar traques barulhentos durante a projeção. O celular eu e o Tiago resolvemos com um “PSIU!” conjunto e uma gesticulação minha de deixar qualquer italiano com inveja - Vá atender essa **** lá fora ô mal-educado! Ele foi, obediente, as duas vezes que o celular (no silencioso, pelo menos isso) tocou. Os traques eu perdi a conta…mas pelo menos não senti o cheiro e o cara teve a decência de sumir assim que apareceram os créditos.
Bom, sobre o filme…
Eu gostei muito dos quadrinhos, gosto do traço do Frank Miller. O quadrinho está lá, em todas as cenas de batalha, na iluminação. Eles tentaram deixar a o filme bem parecido, erraram a mão um pouco na escolha de alguns atores, nos quadrinhos os espartanos tem traços fortes, quase negroides, a esposa do Leonidas é claramente, mulata…Mas enfim, os caras tentaram ser fieis quando o que aparecia era o que estava nos quadrinhos, como eu disse, dos quadrinhos…
Parecia dois filmes em um só, sei lá se o diretor foi preterido na escolha para o filme Gladiador, mas as tramas paralelas que ele inseriu na história azedaram um pouco o filme. Não precisava daquela rainha cheia de não me toques e dramas pessoais, o traidor, o parlamento, etc. Não sei se os caras queriam agradar a parcela feminista. Se era isso, erraram feio. Eu ficava torcendo para ter o botão fast forward quando a rainha aparecia. Que mulher chata! E a construção do caráter dela era completamente diverso dos outro personagens. A única coisa que a inserção dessa figura fez foi enfraquecer a personalidade do próprio rei Leonidas: no filme ele sempre consulta ela (mesmo que com uma troca de olhar), broxa na primeira vez e no finalzinho, antes de morrer, vira corno. Deviam ter deixado a rainha com os dois únicos quadradinhos que ela recebeu na história. Com apenas duas falas nos quadrinhos ela passa toda uma força e altivez que a chata-que-nunca-calava-a-boca não passou, apesar de aparecer de uma ponta a outra do filme.
As tramas paralelas estão tão deslocadas no filme que até a trilha sonora muda, entra algo tipo Senhor dos Anéis, ao invés do som pesado das Termópilas.
Se a desculpa era que o filme ia ficar curto, engano. Muito dos quadrinhos não foi aproveitado ou devidamente explorado. A marcha militar, a história quase paralela do Stelios, os exercícios em campo - nada disso apareceu na tela e, fez falta, planificando demais os soldados e deixando em segundo plano a disciplina dos espartanos.
Por fim, o filme agrada, foi divertido, e os quadrinhos estavam ali.
Mas mal posso esperar pela “versão do não-diretor”, que mantenha apenas os quadrinhos e retire aquela chata de cena.
PS1: O Rodrigo Santoro estava bem mas, nos closes, dava para ver as fitas que prendiam os piercings e as camadas de maquiagem que tentavam escondê-las.
PS2: Sim eu continuo fã dele. Ele é um cara bem legal e simples. Não acredita? Dá uma olhada nessa entrevista.
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