Perdi um post longo sobre o assunto. Então vai do meu jeito taquigráfico mesmo.
O fato de eu estar em casa, cuidando da Sofia, não significa que eu esteja alienada do que ocorre no mundo. Mesmo com a grande imprensa ter-se reduzida a uma velha senhora rabugenta e alcoviteira, sempre batendo na mesma tecla.
Eu realmente sinto muito pelas pessoas que, seja por falta de oportunidade ou por ignorância pura e simples ainda lêem revistas como Veja, Istoé e assistem os telejornais em busca de informação. A um bom tempo a qualidade e profundidade das matérias desses veículos é apenas um pouco menos raso que de uma revista de fofocas.
Enquanto isso o mundo gira, o aquecimento global mata um belo punhado de europeus e há caos maiores que o aéreo, como o do nosso sistema de saúde. Há a guerra civil nas favelas cariocas e paulistas – que já matou bem mais pessoas que o acidente da TAM e ninguém cobrou um visita do presidente nem na favela do alemão.
Porisso recorro a outras fontes de informação – TV Nacional, TV Senado, TV Câmara – para pegar o dado bruto. Observatório da imprensa e alguns blogs na internet. Até leio o Conversa afiada, mas ultimamente o PH anda um chato de galochas, além de eu não gostar do Mino Carta nem do Cesar Maia. Vou lá só para levantar informações.
Agora minhas impressões:
Sobre o acidente da TAM
É um saco, no mínimo, ouvir a situação dos aeroportos com mais frequencia que a previsão do tempo. (É no mínimo irresponsável a forma que tratam a onda de frio no sul como um evento puramente turístico -alias o Sul só aparece em rede nacional no inverno, com as tradicionais reportagens dos campos congelados e turistas que esperam a neve).
Ocorreram mais de 10 acidentes com aviões da TAM desde 1996, três deles ocorridos em Congonhas, sendo um o famoso acidente com o Fokker 100. Na época a TAM sequer contava com algum procedimento padrão para controle de danos em acidentes graves, recorrendo a outra empresa para saber como lidar com os familiares das vitimas na época. Foi a TAM também que pediu autorização em 2000 para operar com o Airbus A-320 em Congonhas.
Congonhas até 1994 só fazia ponte-aérea. Parte dos prédios foram construídos na região depois de 1993, antes as construções na região eram proibidas ou embargadas. Ou seja, o ambiente propício ao desastre vem sendo construído a mais de 10 anos, no mínimo.
A cobertura da imprensa foi uma lambança no início. Na pressa de conectar o acidente com a propalada “crise-apagão-caos aéreo” cometeram um erro primário de achar uma causa antes da investigação. A cobertura da Band foi a pior (ou a que mais me decepcionou, pois a Band sempre foi boa em cobertura jornalística), com os ancoras mostrando imagens do prédio em chamas com o rabo do perfeitamente visível e eles dizendo que não sabiam de que companhia era o avião. Nos dias seguintes ao desastre o fel destilado pelos comentaristas (rádio Band) que mal deixavam os entrevistados darem as suas respostas (queriam respostas que coubessem no juízo deles) me fez mudar de rádio, tal o nojo que me deu.
O governo não soube administrar a imprensa de oposição. Ele se curvou e comprou a balela contada – incluindo a idéia do terceiro aeroporto. A atitude do assessor foi grosseira e pior a tentativa de explicação. Mesmo com vontade e mesmo a imprensa merecendo, há certos gestos que não devem ser feitos, principalmente num ambiente como aquele e estando numa mira cerrada como o governo está. Cheguei a achar que a nomeação do Jobim seria uma boa idéia (porque gaúcho é gente que faz), mas tenho pensado melhor.
E o brasileiro médio continua seu comportamento comodista. Reclama no microfone do atraso no seu vôo, mas é incapaz de encaminhar uma queixa formal no PROCON. Aqui em Brasília a responsável teve que fazer uma chamada aos passageiros. Se ninguém formaliza uma queixa, não tem como o PROCON ir lá cobrar. Também não vi ninguém batendo panela pelo aumento dos deputados. Quero ver se esse povo vai preferir mesmo os aviões que passem por Viracopos ou Guarulhos.
Sobre o Pan
Estou esperando pela CPI. Fora a Globo nenhum grande veiculo (fora do Brasil) deu destaque a “olimpíada latina”. EUA e Canadá enviaram seu segundo time de atletas. O Pan não serviu para melhorar a Baia de Guanabara nem o sistema de transportes. Boa parte das benfeitorias não tem destino certo. Então…depois de ter gasto rios de dinheiro…o que sobrou?
Pra mim só serviu para mostrar como nosso esporte é desprestigiado. Muitos atletas reclamam a falta de patrocínio e só competiram porque estavam “em casa”. O nosso recorde de medalhas se deve, em grande parte, por isso.
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Algumas coisas que li e acho que valem a pena:
A opinião do André Kenji sobre o “movimento” CANSEI.
Do mesmo cara, a solução óbvia para a “crise aérea” – deviam chamá-lo ao invés do Jobim.
A invenção da crise da Marilena Chauí (não gosto dela, mas há informações no artigo que eu utilizei no post.)
No Observatório da imprensa:
A primeira vítima é a verdade. Outra vez
Um mea-culpa que não absolve
Com o caos, a gestão virou notícia
Como se fabricam os furos
Voyeurismo e espetáculo comprometem o jornalismo