Archive for the ‘Filosofada!’ Category

Macacos

Wednesday, August 4th, 2010

Era 2004, 2005 no curso de desenho industrial, alguém (acho que a Renata) desenhou o novo adesivo para darmos no pedágio da excursão para um dos NDesign. Sempre fazíamos isso, se alguém no cruzamento, dava uma certa quantidade de dinheiro, ganhava um adesivo. O meu do alien já era coisa do passado.

O novo adesivo fazia alusão aos Três Macacos Sábios, mas ao contrário dos macacos da lenda, tinham os olhos, os ouvidos e a boca bem abertos.

“Que espertos somos!” – pensei na época. Pois estávamos alertas a tudo.

Como éramos ingênuos – penso hoje. Não que a idéia estivesse errada, devemos estar alertas para o mal, mas devemos ouvi-lo, vê-lo e divulgá-lo?

O mal é uma instituição humana. Não existem animais bons ou maus. O mal deriva da nossa cultura. O mal, em seu estado cru – poderia ser definido como tudo que é prejudicial, aquilo que eu (ou outro) faz com fins de prejudicar a si ou a outro. Com o tempo o mal criou nuances tão complexas é que praticamente defini-lo sem uma moral por trás, um ponto de apoio. O mal tornou-se relativo. O conceito de mal pode ser corrompido, torcido de forma a nos beneficiar contra outro – o inimigo.

Toda pessoa carrega um pouco (ou muito) de mal em si. Não é nossa culpa, todo ser vivo tem um papel criador e destruidor dentro da natureza. Nós humanos apenas complicamos um pouco.

Agora, na natureza, nenhuma destruição é fortuita, toda destruição cria algo. Não é o que ocorre na nossa cultura.

Na nossa cultura, se destrói apenas pelo prazer de ver algo destruído. Isso podemos chamar de mal. Ver e assistir esse mal, faz com que ele se engrandeça, cresça, mas não gere, nem crie, nada.

Um exemplo, bem tosco, seria as pessoas que passam devagar para ver um acidente, o que congestiona o transito e pode causar outro acidente. Outro é nossa TV, os telejornais. Antigamente era fácil identificar os veiculos de imprensa onde ” se torcer o papel vai sair sangue”. Hoje não é mais possivel. A mídia explora até o ultimo grito tragédias pessoas, familiares. As joga na TV na hora do café, na hora do almoço, as debate enquanto a apresentadora do programa matinal retira o prato do dia do forno.

O que os macacos tem a nos ensinar não é fechar os olhos a tudo isso, mas dar um basta e cortar o círculo vicioso.

“Falem mal, mas falem de mim” diz a noticia. Não falo, troco de canal, desligo a TV. A última fofoca do artista Global. Que me interessa? nada. Não leio.

Disseminar o mal, faz com que ele pareça maior do que ele é.

“O reitor da universidade é do PCC, São Paulo tá tomada!” – Tens como confirmar? Senão é fofoca. Não passo adiante.

Entendam que não é negar que um problema existe. Não é negar, por exemplo, que a violência em uma cidade cresce logo depois que o crack aporta. Mas é tentar ver as coisas como elas são e não ficar paralisado, não se deixar levar pela onda.

Vejo pessoas gastando uma energia preciosa em ódio a algo. Tuitando que odeiam certo programa da TV, certa pessoa, Quando era subsindica, ouvia reclamações do namorado traficante da vizinha que corria nu pelos corredores. Toda reunião de condomínio fazia constar em ata as reclamações, toda reclamação na minha porta pedia para enviar por escrito (nunca aconteceu). Apenas um ressentimento amargo gerado e todos empurravam, contrariados, o problema com a barriga. Porque todos tinham medo do cara que, diziam, tinha perseguido um vizinho com uma faca.

Eu confrontei o cara e (por sorte?) sobrevivi. Eu apenas fiz o que devia ser feito, não ouvi o mal, não deixei que ele parecesse maior do que ele era. E isso foi a chave para que, dois meses depois, eles fossem embora.

Espero, sinceramente, que os dois estejam bem e que estejam criando o guri (sim! – os dois tinham um filho!) bem. Porque? Por que eu não tenho nada a ganhar desejando o mal para uma pessoa. Sei que todos os dados jogam contra aqueles dois mas, quem sabe? Qual a probabilidade de uma joaninha pousar no meu teclado próximo a meia-noite?

Eu não ganho nada desejando mal a alguém. Não crio nada.
Mas não quer dizer que eu seja perfeita, já errei, erro e não tenho ilusão nenhuma de que não vá errar novamente.

Detestei a antiga professora da Sofia. Mas nunca quis que um raio caísse na cabeça dela (ok, eu quis). Eu ia falar com ela, falar com a diretora, decidi estudar melhor, ver outra escola para Sofia (isso ainda vou fazer). No primeiro dia de volta as aulas cheguei armada e…a professora foi embora. Quantas noites perdi ensaiando meu discurso vociferado? Três noites tentando pegar no sono me preocupando com isso.

Quanto tempo desperdiçado… ainda tenho muito a aprender com os macacos. Não, não me sinto culpada por nada e não acho que minhas “bad vibes” tenham influenciado a saida dela. Mas perdi um tempo precioso da minha vida com isso. E é esse o ponto.

Outra hora continuo….tá mais que na hora de dormir.

Espelho, espelho meu… (parte 1)

Tuesday, January 15th, 2008

Confesso uma coisa: Adoro olhar mulheres*. Desde pequena, no vestiário feminino da natação. Curvas, proporções. Fico tentada a pedir: – Espera um pouco! Deixa eu te desenhar!

Na falta de um caderno cheio de rascunhos que comprove digo: não há mulher feia. Há as que não se gostam.

Claro que há defeitos: uma gordura alí, um peito caído lá, um descuido mais adiante. Mas, dificilmente, o conjunto é desproporcional. Há sempre um sorriso, uma personalidade, uma covinha, uma curva, uma história.

Me lembro da amiga que tinha um nariz que lhe dava uma personalidade especial (tive várias amigas assim, nenhuma delas acho, precisava realmente de uma plástica, mas no caso desta em particular). Eu achava aquele nariz lindo, era uma Mona Lisa latina. Depois de confessar o que pensava num café, ela me falou que eu fui uma das duas únicas pessoas que disse que o serviço tinha ficado bom, mas que gostava do antigo. Ela falou que estava feliz porque agora enxergava em 180 graus. Tive que concordar que, se era por isso, a cirurgia tinha sido boa.

E sorte que o médico não “falquejara” o nariz. Dá pra ver um nariz falquejado de plástica a distância. Um dia me peguei olhando fixo para uma colega de aula. Uma amiga minha, notando o minha cisma (e a falta completa de interesse na aula), me perguntou o que havia. – Algo não fecha – respondi. Na minha cabeça uma série de linhas, curvas eram traçadas e o resultado era sempre inconclusivo. Minha amiga, ao deduzir minha cisma, matou a charada: – Ela fez plástica.
Sim, ela tinha feito. O nariz, arrebitado, lindo, destoava pelas pequenas proporções no rosto de contornos vitorianos. Uma pena.

A partir daí, por esporte, treino de visão, passei a notar qualquer nariz “reformado”. Até um dia, vendo o jornal, cismei com o Romário. Sim, ele refez o nariz para parecer mais novo.

(A medida que envelhecemos, nosso nariz e orelhas caem e ficam maiores. Se você fuma, esse processo se acelera de forma exponencial. Porisso muita gente nova que fuma diz que não dá nada. Mas espere até os quarenta. O que para os outros será uma descida tranquila, para o fumante será morro abaixo sem freios).

Não sou contra a plástica, ou qualquer outra intervenção cirúrgica que faça a pessoa se sentir melhor. Desde que seja feita de forma consciente. Sou contra sim, à banalização. A meninas colocando silicone antes dos 18, a mulheres que não conseguem dormir, viver, sair, ou amar por conta de centimetros a mais de culote. Mulheres escravas da aparência e da moda, as que tentam parecer tão novas quanto as suas filhas, que se mutilam, inexpressivas a agulhadas de botox**. Burro também é o salto, que deforma tanto a coluna quanto os pés. Já nos basta a depiladora, a manicure e o cabeleleiro.

E a TV, revistas nos vendem isso. Hoje me apavoro quando leio a capa da NOVA. Para mim aquilo é “A revista da mulher neurótica”. Tem bem mais mulher expondo a pele (photoshopada) em poses sensuais que muita revista masculina. Você tem que saber o “cama sutra***” de cor, nada tremer enquanto transa, tem bumbum, barriga, tudo durinho (ou como um amigo gay disse uma vez – mulher com abdomen de homem), ser mãe, amante e profissional perfeita. Ahhhh pobre mulher que não pode soltar um flato na frente do parceiro de anos. Ele pode te trair! E você tem que ser magra, mas muiiito magra, comer só alface, maçãs e cenouras. Viva a ditadura do cabide humano! A Gisele Bundchen tem um rosto lindo e é super-simpática mas usá-la como referencia de beleza feminina é burrice. É como usar o Michael Jordan como parâmetro de beleza masculina. Ambos foram “talhados”, tem um biotipo incomum que lhes favorece nas suas profissões. Mas 99,99…% da população mundial não é nem modelo, nem jogador de basquete.

Então, amiga, relaxe: Mens sana in corpore sano.

Uma vez me disseram que mulheres se arrumam para outras mulheres (dado isso, devo ser macho, porque não ligo). E homem que é macho gosta da mulher do jeito que ela é, com todas suas curvas, falta de, defeitinhos e contradições.

Como ia dizendo, não conheço mulher feia. Conheço as inseguras, as sem-amor-próprio. Toda mulher confiante é linda aos olhos dos outros****.


* Homens são legais, servem para o que servem. Mas na aparência são retos, ruins de desenhar. Não gosto de músculos hipertrofiados então para mim é muito difícil desenhar um homem.
**Meu novo passatempo desde que notei o queixo “congelado” da Cristiane Torloni. Eu cismo muito quando algo “não fecha”.
*** Assim mesmo.
**** Resumindo Aisha: Baranga é o codenome drag-queen do infeliz que te deixar.

Sobre livros e gostar de ler

Monday, December 10th, 2007

Cena 1:
Ônibus universitário cheio uma mãe grita com o filho.
- A professora disse que você tem que ler, Lê (mostrando um jornal)! Lê isso aqui!

A criança balbucia. A mãe impaciente dá um tapa na cabeça no guri. Fim de espetáculo.

Eu quase me intrometi. Mas ficquei com medo de levar uma coça da mãe raivosa. Afinal, ela queria mesmo que o filho lêsse? pelo jeito nem ela era acostumada a ler. Ninguém com o hábito de leitura força outra pessoa a ler, principalmente algo inadequado como um jornal. Minha vontade era descer no próximo ponto e comprar uma pilha de revistinhas para o guri. E ter um papo franco e amigável com a mãe sobre gostar de ler.

*****
Cena 2
Um colega deixa uma pilha de livros para doar. Nada extraordinário: um manual de acampamento, um romance infanto juvenil obscuro, um livro de auto-ajuda com uma capa legal.

Ninguém da sala se interessa.

Ofereço os livros para a servente que leva todos. O argumento:
- Volta e meia meus filhos tem que ler algo e apresentar trabalho.

*****
A conclusão que chego, não baseado em apenas esses dois casos, é que brasileiro lê por obrigação. Vê a leitura como uma tarefa (ingrata) a ser cumprida.

Penso de quem é a culpa. Não existe resposta fácil. Pouco acesso a bibliotecas, bibliotecas pouco amigáveis, pouco estimulo a leitura nas séries iniciais, pais que não lêem (a falta de exemplo), a marginalização de leituras como os quadrinhos, etc, etc, etc…

Meus pais não são ratos de livro como eu. Mas eu cresci num ambiente onde livros faziam parte. Me lembro dos meus pais lendo nas férias, no banheiro. Sempre havia livros nas mesas de cabeceiras. Meu pai lia Asterix para eu e minha irmã dormir. Ela não é uma rata de livros mas lê bem mais que a média nacional (1.8 livros por ano).

Na escola, aos sete anos, tinha um dia especial para mim. Semana sim, semana não a turma era levada para a biblioteca infantil. Lá num tapete enorme e várias almofadas podíamos escolher qualquer livro da estante e ler. A professora lia também e podia pegar livros emprestados, o que eu fazia com frequencia.

Era um dia da semana muito aguardado. Me espreguiçar numa almofada naquele tapete azul felpudo.

Amante dos livros, acabei ensinando, sem querer, outras amigas a gostar de ler. Eu indicava, emprestava os livros que eu tinha gostado.

Talvez o caminho seja esse. Passar adiante o seu gosto pela leitura, indicar livros e ver no que dá. Hoje escolhi alguns livros. Vou levá-los amanhã para a Geralda. Quem sabe eu consiga dar um gosto para transformar um trabalho ingrato numa tarefa prazerosa?

Muitas de mim

Monday, March 26th, 2007

Tenho ouvido antigas músicas e despertando antigos hábitos. Coisas de uma época que passou e deixou ensinamentos.

Ontem costurei uma faixa para usar por baixo das batas, que teimam em exibir meu sutiã. Usei as pernas de uma calça velha, há muito que virou bermuda e há muito que foi doada. As pernas eu sempre guardo, coisas que a mãe da gente põe na nossa cabeça de forma quase imperceptível.

Me lembrei da época que eu ‘customizava’ minhas roupas, antes disso virar forma e esses termo ser inventado. Eu não era punk, mas eu nunca curti as roupas tais como eram entregues nas lojas – ombreiras, golas altas, resquícios da década perdida. A tesoura corria solta…eu queria mesmo mostrar a alça do sutiã, da regata. Quando aprendi serigrafia na faculdade perdia parte do meu tempo criando estampas e imprimindo em camisetas e moletons.

Bons tempos… mas eu também tinha raiva, impaciência e não entendia a marcha lenta dos que andavam comigo. Durante um tempo eu não entendia e não aceitava, meu humor mordaz afastou algumas pessoas, que nunca fizeram falta. Se por um lado descobri meus melhores amigos sendo desse jeito, notei que além dos grandes filhas-da-puta, eu estava afastando pessoas sem dar o tempo de conhecê-las.

Etapa 2, já depois de formada, alguns anos de trabalho, aprendo que não é crime imperdoável as pessoas não seguirem meu ritmo. Diminuo o ritmo e vario os projetos 0-de que adianta acabar as coisas em dois dias se o resto da equipe ainda rumina o que deve ser feito?

Outra coisa, de que adianta idéias brilhantes se depois que vc sair elas vão ser jogadas aos porcos? Deve ser construído um alicerce sólido, cuja uma das bases é poder deixar herdeiros, criar discípulos…

Anos a mais redescubro que algumas pessoas merecem mesmo um pé no traseiro e que tem vagabundo que só funciona na base da ameaça e do grito. E que eu não preciso levar ao pé da letra a história de respeitar o ritmo dos outros. Eu sou o cara do tambor que marca o compasso da galera.

E nesse acelera/acompanha eu busco um equilíbrio…Etapa 3.

Outro passo.

Monday, February 26th, 2007

Tenho filosofado muito, por horas sobre os valores/comportamento da sociedade, das pessoas. Acho que cheguei num ponto do caminho onde boa parte dos lugares comuns me parecem absurdos, mas eu ainda não consigo passar isso de uma inteligivel as pessoas. Tenho a impressão que muita gente me acha uma bicho-grilo pretensiosa.

Eu encaro a minha vida como um caminho sem um objetivo específico, só aprender e fazer o que eu gosto. Tenho obrigações cotidianas como qualquer pessoa: pagar contas, trabalhar, arrumar a casa. Tenho preocupações como qualquer pessoa, fico triste, fico feliz, chateada, ansiosa, de cara. Erro, até bastante. Mas eu tento manter as coisas com o tamanho que elas merecem, afinal, tudo é transitório.

Tenho pensado muito porque acho que a hora de decidir por um dos caminhos da bifurcação. A vinda da Sofia foi só um “dá ou desce”. Meu lado preguiçoso me pedia mais uns dois anos, já minha agenda-humana em coro com o relógio biológico me dizia que já estava passando da hora. Profissionalmente faz tempo que penso em parar de seguir a corrente. Sei onde é o final desse caminho, onde posso parar se resolver subir a escada. É o que muita gente espera, almeja, muitos pelos motivos errados. Ela não me impressiona, nem me é atrativa. Eu sei que sou capaz, eu sei que a briga seria feia, eu sei que poderia contribuir com algo positivo e verdadeiro, mas não estou “a afim”. Quero explorar outros cantos. A única coisa que me impede é a inércia da rotina, ficar onde está é mais fácil que mandar a vaca pro brejo e recomeçar.

Faz tempo que pretendo tirar um tempo do trabalho para planejar esse novo caminho. Escolher uma entre as milhares de alternativas. Um sabático, como chamam. A licença maternidade vem a calhar.

Porque eu não me importo.

Thursday, January 11th, 2007

Volta e meia vem algum me chamar de arrogante. Quer dizer, não vem e me chama na cara, porque nunca tem coragem para isso. Sei por amigos, pessoas em comum que chegam e me contam:

- Fulano te acha arrogante.

Como em boa parte dos casos eu acho o fulano um belo borra-botas que não vale o que come, toco o barco sem me estressar. São os ossos do ofício.

Outra coisa que me tranqüiliza quando sou chamada de arrogante é uma velha tirada Do meu professor Luiz Vidal:

– Se ser arrogante é demonstrar conhecimento sobre o assunto. Sim, eu sou um arrogante.

Não foram bem essas palavras, mas aquilo me marcou muito. E, de certa forma, me liberou, parei de segurar, de tentar me adequar a média. Ao invés disso comecei a investir em tentar me superar e ter sempre como meta o cara lá da frente, porque sempre tem alguém na tua frente.

Bom, fazia tempos que eu tinha guardado um favorito do Revolução Etc sobre Uma tentativa de definição de arrogância. É um texto do Alex de Castro que começa com a seguinte definição de pessoa arrogante:

“Arrogante é alguém que se orgulha de fazer algo que você não é capaz de fazer.”

Alex Castro

O texto é genial, falando dessa hipocrisia da média, do fato de vc ser praticamente obrigado a não valorizar o que você ralou para conseguir.

Conheço todas as regras, talvez mais até do que seus praticantes, mas me recuso a participar. Pago o preço da minha decisão todos os dias, com o meu fracasso social, pessoal e profissional.

(…)
Pessoas bem-sucedidas e bem-resolvidas raramente acusam alguém de arrogância. Esse grito indignado vem sempre de baixo pra cima. Essa acusação só escorre assim fácil pelas línguas dos medíocres, despeitados, mesquinhos, invejosos, pequenos.

Alex Castro

Talvez, se as pessoas capazes, que curtem o que fazem que procuram, que ralam, começassem a transgredir esse comportamento de adequação,sendo…assim… um pouquinho mais arrogantes ;) tivéssemos um mundo um pouquinho melhor, com menos bobagem sendo feita.

E eu não teria escrito melhor sobre o assunto ;)

Dar o passo

Monday, September 11th, 2006

Domingo foi um dia pralá de chato. Acordamos cedo para o Tiago levar a Lili para o aeroporto. A Dani não ligou, acho que estava afim de curtir o namo sozinho. Também não liguei, acho que eles mereciam um tempinho a sós.

O Tiago saiu de tarde para jogar e eu fiquei lá, arrumando a casa e vendo a Supenanny. Tomei um banho, li um livro e joguei um pouco de mahjong no Ubuntu.

A noite chegou, vimos O Aprendiz e eu sem sono. Tava zapeando, o “Canal das Mãos” e a mulher que fala de sexo no SBT se despediu – Hora de desligar, pensei – Foi quando o filme do fim de noite começou…

Já vi “Alta Fidelidade” umas cinco vezes. A primeira vez no cinema. Sozinha, se bem me lembro, com um final de namoro ainda entalado na garganta. Me lembro da Patricia pondo o cd para ouvirmos na Pathinder e da fortuna que paguei pelo mesmo cd para, tempos depois, vê-lo na prateleira de descontos da Multisom. Me lembro do Mário ouvindo Let’s get it on deitado no tapete. Era primeiro de janeiro. Eu acabei conseguindo o cartaz do filme e dei de presente para ele.

Esse era o tempo dos sem-amor, da dor de cotovelo que eu e alguns amigos passávamos. Eu me perguntava porque estava sozinha e ao mesmo tempo, que raios, o que eu queria da vida.

A segunda vez que eu me lembro de ver o filme foi na casa dos meus pais, após um longo período sem ir para Santa Maria. Estranhei o fato do pai ter escolhido o filme e resolvi vê-lo de madrugada. Naquela época, mais calma, eu encucava com o do que era feito um relacionamento de verdade. Depois devo ter visto mais outras vezes, uma me lembro, queria anotar a trilha porque de primeira “orelhada” a trilha do cd não me batia com a do filme.

Ontem foi a terceira vez que eu vi o filme de uma forma diferente. Faz algumas semanas que eu me preocupava com a rotina minha e do Tiago. Deixamos de fazer certas coisas. E eu espero algumas coisas, atitudes dele. As vezes eu não sei o que eu quero. Tenho medo que a nossa rotina mate o nosso relacionamento.

Vi o filme pensando em todas essas coisas. Até onde a rotina mata o relacionamento, o medo de se tornar irmãzinha/amiguinha, a vontade de crescer, o medo de entrar em descompasso, de acabar seguindo caminhos diferentes. Prestei mais atenção nela, esperando o cara crescer e andar junto. Ele a culpando por ter “mudado”. Ela acabou cansando e foi embora. Ela amava o cara mas tinha ficado sem opções. Não queria muito, só que ele saísse daquela mesmisse. Por sorte, ou talvez por ser um filme, a ficha cai e ele resolve dar “o passo”.

Foi estranho constatar que o mesmo filme espelhasse momentos tão diferentes da minha vida. Desencanei um pouco com meu medo da rotina. Não, a vida não é um filme, nem um livro, mas eles ajudam a ver as coisas sob outro ponto de vista.

Fui dormir descansada, afinal o domingo não foi um dia completamente perdido.

Nem só de chuteiras vive a Pátria…

Saturday, July 1st, 2006

salto alto também!

Conclusão:

Thursday, June 8th, 2006

Atrás de uma grande figura, tem sempre um bando de filhas-da-puta

Cacau

Apenas pensando.

Wednesday, March 22nd, 2006

Não tem dia que eu pense sobre a opção de vir para Brasilia. Para mim é relativamente fácil me afastar, largar tudo por emoções novas.

Não possso negar que sinto falta dos velhos amigos e da nova turma. Que fazia tempo que eu não encontrava uma amiga tão próxima como a Aisha. Mas eu já passei pela diáspora da turma de formatura, já tenho colegas casados, com filhos. Já tenhos ex-colegas que fracassaram, desistiram e largaram tudo para casar e abrir uma videolocadora. Colegas que se deram conta do tempo perdido e correram para recuperar. Já tenho amigos que são considerados referências. Eu já estou mais curtida.

Eu já penso em mudar de área. Depois de Brasília quero abraçar uma nova paixão no desenho. Já provei o que queria chegando aqui. Anda há muito terreno a ser percorrido eu sei. E eu vou cumprir tudo ao que me propus.

Mas, o que eu mais quero é aprender e fazer coisas novas.

Eu não sei o que é trabalhar sem amor ao que se faz. Eu não sei olhar o emprego apenas como um ganha pão. Cada trabalho meu é como um filho, eu me esforço para que ele saia o melhor possivel mas, depois de pronto, ele é do mundo.

Porisso é dificil para mim entender o trabalho apenas como um ganha-pão. Não entendo como as pessoas passam oito-dez horas do seu dia fazendo coisas que não gostam, ou apenas, passam.

Há várias coisas que eu quero fazer e tenho tentando concretizá-las aos poucos. Aprendi que pensar em todas ao mesmo tempo é como bater com as duas mãos no teclado da máquina de escrever (alguém lembra?) as hastes se acavalam e nenhuma letra marca o papel.

Eu acho que todas as pessoas tem alguma paixão escondida. Mas a familia, os amigos acabam por minar a possibilidade de fazer isso. As vezes é uma paixão simples como apenas cuidar da casa e dos filhos. Mas não é valorizada. As vezes tentando dar uma dimensão maior ao seu sonho, tentando torna-lo importante a terceiros a pessoa se sabota com planos impossiveis tentando concretizar o ultimo passo do sonho sem enxergar o caminho que vem antes.

Já deixei que pessoas sabotasssem as minhas vontades. Já superestimei um sonho esperando reconhecimento de terceiros. Hoje cuido para que isso não aconteça.

Ok…tudo isso é um pouco confuso…