Archive for the ‘Baú de causos’ Category
Memórias do curso de DI – Os livros perdidos
Sempre gostei de ler, tanto quanto desenhar. Quando pequena planejava e economizava a mesada para comprar livros – muitos eu tenho até hoje es ão herança para a Sofia e Alice.
Quando entrei no curso de desenho industrial me deparei com uma falta absoluta de bibliografia. O que eu via era apenas catálogos, internacionais, com muitas fotos e pouco texto. Ao questionar um professor ele me falou da falta de bibliografia da sua área (sinalização) – “simplesmente não existe”.
Como assim? Era difícil de acreditar. Vasculhei a biblioteca setorial a geral e poucas coisas apareciam.. Não era possível. Em pouco tempo eu tinha todos os livros “existentes” na área, mais alguns catálogos, comprados na CESMA. Eu não me conformava, mas não sabia para onde ir.
Apenas quando o Vidal começou a dar aulas para nossa turma é que vi uma luzinha no fim do tunel. “Comprem livros! Pelo menos dois por mês” – dizia. Mas…como? Onde?
Ele levava muitos livros para aula. Muitos de uma mesma editora: a Gustavo Gili. Um deles tinha um cartãozinho para pedido de catálogo. Pedi o cartão, preenchi e enviei pelo correio. Cruzei os dedos.
Lembrem-se. Estávamos em 95, a Web era lenta, para poucos e não existia comercio eletrônico.
O catálogo chegou aproximadamente dois meses depois. Era o mapa do tesouro.
Escolhi os livros. Muitos, quase chorei por não ter como pedir porque não tinha dinheiro suficiente. Marcava asteriscos do lado prevendo uma compra futura.
O pagamento era por vale-postal. Eu enviava o pedido para a editora e eles me enviavam o valor total (com o frete). Eu pagava com um vale postal que era enviado para a editora, que enviava os livros. Era tudo por carta e demorava quase dois meses. Como o envio era por correo-al-saco, via marítima, até os livros chegarem as minhas mãos podia demorar quase seis meses.
Logo que o primeiro pedido chegou, devorei como um refugiado faminto o primeiro livro escolhido: Sistemas de Retículas [Rastersysteme für die visuelle Gestaltung], Josef Müller Brockmann (1976).
Apesar da demora, dos custos, ainda fiz mais uns quatro pedidos por esse sistema. Alguns amigos passaram a pedir comigo dividindo os custos de frete. Mas a web cresceu, surgiu a Amazon, e a própria Gustavo Gili criou um sítio e outras editoras passaram a publicar no Brasil. Eu também me formei e fiz um cartão de crédito internacional…mas isso é outra história.
Voltando do mercado…
…eu contava para o Tiago sobre a Coruja Colorida (Corujão hoje) e dois filmes que não me saíam da cabeça: Um era sobre um menino que os pais morriam e ele ia atrás deles com a ajuda de um coelho. O outro (que além da madrugada tinha visto na Sessão da tarde), era sobre um menino, um monte de bichos, uma bruxa que rapta a irmã do menino, daí o menino resolvia virar ninja e o mestre dele mandava ele carregar um monte de baldes, cada vez maiores…
Ufa…
Bom, resolvi tirar as teias de aranha da minha memória – minha última lembrança de um dos filmes era de quando tinha 4 anos – e escaranfunchar na internet.
A meta era encontrar:
- O filme do menino e o coelho
- O filme do menino ninja
- Provar pra mim mesma que eu não era uma criança delirante e que eram filmes diferentes
- A abertura do Coruja Colorida.
Depois de meia hora de pesquisas infrutíferas no Google e no Anipike (só vinham desenhos e séries novas demais), resolvi apelar, pela primeira vez, para o IMDB.
Tchan-ram!
O filme do menino e do coelho se chama, na realidade:
Wanpaku ôji no orochi taiji (1963)
Apenas a mãe morre. E é lindo, muito lindo…
Ah! O filme está inteirinho no Youtube.
Não vou traduzir o que Chung Mo, outro que se lembra do filme, disse, mas ele “traduz” (desculpe o trocadilho), o que eu senti quando vi novamente
Having seen this at an animation/sci-fi group in New York over 20 years ago, mymemory may not be the best. One of the now rarely seen Japanese feature animations from the pre-anime era, Wanpaku (Little Prince) is a very enjoyable children’s adventure film. The plot escapes me completely except that Little Prince ends up in an extended battle with the eight headed dragon (hence the U.S. release title).
The drawing is done in that simple geometric shape style that we never see any more. Sort of a Japanified UPA style. That’s not to say that the film doesn’t look good. The 16mm print I saw must not have been projected much because the colors were rich and showed the artwork off well. The animation is better then other Japanese features of the same time and the film has a brisk pace.
What really made this film different from other animations coming out of Japan at the time was the incredible classical inspired score. The print I saw had no credits at the beginning and the first clue as to who composed the score came at the very end when the orchestra suddenly breaks out in a rendition of the battle music from “The Mysterians”
Outros nomes para o filme:
Little Prince and Eight Headed Dragon (USA)
Prince in Wonderland
Rainbow Bridge
*****
O filme do menino ninja é na realidade:
Shônen Sarutobi Sasuke (1959)
É o primeiro filme de desenho animado japonês lançado nos Estados Unidos. Também é o primeiro lançado em formato widescreen.
A história é mais ou menos como eu lembrava. Só havia esquecido como a bruxa era assustadora
A parte que eu sempre lembro é do início do filme com o menino e os animais dividindo batatas-doce, um momento bem “Disney”.
Nos comentários do IMDB, a melhor descrição foi a de Noel Vera:
Just saw this on TCM and it still has the magic. This is recognizably a Taiji Yabushita film, in that he takes much of his style from classic Disney–fluid (maybe not as fluid as Disney) movement, use of music and imagery, animal sidekicks. It’s not as emotionally powerful as his The Orphan Son (his masterpiece, I think), or as all-around well done as Alakazam (his collaboration with Ozamu Tezuka), or as historically important as The White Snake (which influenced Miyazaki) but it has its virtues–the inventive way the hero appears and disappears, the ‘transformation battle’ that occurs at the climax, the lifelike sword fights of the prince…not Yabushita’s best, but still up there, somewhere.
Outros nomes para o filme:
Magic Boy
The Adventures of Little Samurai
*****
Ficou faltando a abertura do Coruja Colorida, que não encontrei
