Medo d’água

Alice tem medo de água. Eu sempre desconfiei por conta do banzé que volta e meia ela faz no banho. Há algumas semanas descobri que ela sempre ficava na borda da piscina durante as aulas de natação. Não entrava na água nem por decreto. E ninguém me contava.

Um dia ela resolveu que eu tinha que ir. Eu fui e vi que ela não entrava na água. No final da aula fui lá falar com o professor.

Perder o pânico que se tem da água é mais importante que saber nadar. Você pode até saber nadar, mas numa situação como uma caimbra, uma corrente, é preciso saber manter a calma. Muita gente que morreu afogada sabia nadar, mas na hora do aperto se apavorou.

Comecei a entra na piscina com ela todas as terças. A primeira aula foi dificil, ela chorou pondo o biquini, chorou todo o caminho, chorou pra entrar e quase me esgoelou de tão apertado que me segurava. Três aulas depois, ela entra sozinha, vai com o professor, mas ainda tem medo de nadar, de que a soltem sozinha. O progresso tem sido bom, mais rápido do que eu imaginava. Tem sido boas manhãs, nadando com a Alice. Ela já molha o rosto e sopra a água para fora, mas não bate as pernas preguiçosa como só.

Não sei se ela um dia vai superar o medo de água 100%, mas estou trabalhando firme nisso.

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Tchau março!

Março se foi. E deu trabalho.

Começou com o aniversário da Alice no zoológico. Foi um bom aniversário, onde coletamos penas para fazer canetas. Íamos nos encontrar com alguns amigos, mas acabamos nos desencontrando. Acabei tomando um belo queimaço no corpo.

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Depois a ida a Santa Maria para o aniversário de 15 anos da Luciana. Foi uma boa estada, apesar do calor da cidade. Fazia anos que eu não me sentia bem em Santa Maria. Pena que ainda não deu para ver a casa do Tio Rogério. Foi bom ver o Beto e o tio Valério depois de tanto tempo.

Festa da Luciana

As gurias adoraram a festa e o ensaio da banda banda do vovô. Deu para aproveitar a festa até as gurias caírem e o som começar a tocar o “espanta velho”: aka funk e forró.

Ainda deu para dar um tempo em “Forno Alegre” na volta, dar uma olhada no centro, nos sebos, comer no Sayuri. O calor abafado nos fazia pensar nas implicações de voltar a morar em Porto com as gurias. Não há dúvidas em relação a quando elas ficarem mais velhas, e como voltar seria bom para mim e para o Tiago. Mas o clima e o verde de Brasília vão fazer falta.

Arcos da Borges

Voltando, era hora de preparar o aniversário da Alice na escolinha. Ela queria um aniversário de “patinho”. Que no fim não deu muito trabalho. Acertei os negrinhos, mas os branquinhos e a cobertura do bolo ficaram muito doces. Alice adorou a festa mas ainda sinto que devo uma festa como a dos poneis da Sofia ano passado.

Alice Arrumando a mesa do aniversário

Adeus março, você deu trabalho mas valeu a pena.

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Sofia naturalista

Sofia logo que soube que íamos no zoológico decretou a festa dos “dinossauros e animais”. E foi dando os pares: a girafa com o braquiossauro, o jacaré com o espinossauro (não temos nenhum dos dois), o leão (não temos, foi um tigre) com o tiranossauro rex, o rinoceronte com o totapris (tricerátops) e o elefante com o coritossauro.

Fiquei orgulhosa da minha naturalista. o senso de observacão dela está tão afiado quanto o de Darwin :)

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Dia da mulher

Tem loja que dá flores, vai ter homem fazendo #mimimi porque não tem um dia do homem (branco e heterossexual), vai ter mulher dando apoio.

Bom, vamos as origens… leu? Pois é, para muitas mulheres o mundo não está assim tão melhor…

Ainda somos tratadas como posse. Não há uma semana que passe sem que os jornais divulguem a morte de uma mulher pelo seu ex-companheiro “inconformado” com o fim do relacionamento, ou com um homem que acha que está no tempo das cavernas e pode arrastar uma mulher pelo cabelo na balada.

Ainda não temos igualdade. Muitas mulheres ainda tem uma dupla ou tripla jornada cuidando de seus filhos e marido após o expediente. O machinho fica lá no sofá reclamando que a comida não tá pronta e que as crianças tão incomodando. Nem para por a mesa o gajo levanta a bunda.

Nossos salários ainda são menores. Licença-maternidade ainda é uma regalia e muitas mulheres são submetidas à “inspeção intima” para ver se ainda menstruam (e não estão grávidas).

Se engravidamos não temos a opção do aborto, mesmo que não tenhamos condições de ter ou criar a criança. O filho vira punição e nós, putas impuras.

Como se não fosse preciso de dois (um homem e uma mulher) para gerar um filho.

Se somos inteligentes e bem sucedidas, somos feias, sapatas (como se isso fosse ofensa). Se dizemos não, somos frígidas. Ofendem até nossos parceiros, figuras raras e caras no meio de tantos machinhos inseguros.

Eu tenho sorte. É raro sentir o preconceito. Tenho um companheiro legal. Mas, volta e meia, o preconceito, embrulhado de boa fé, bate na minha cara.

- “Não se preocupe, tem homens para cuidar dela” – disse certa vez um funcionário subalterno a mim ao meu pai que me visitava no trabalho. Ao que eu retorqui que não precisava de homem nenhum, o machinho não se emendou – ” Ah é! Você tem o Tiago”.

Pouco faltou para uma voadora na cabeça do cara. Pra mostrar quem precisava ser protegido ali.

- “Deve ser difícil para você lidar nessas reuniões com um bando de homens” – disse outro. Na boa, só noto que estou cercada de homens quando me jogam isso na cara. No dia-a-dia não dou por conta se você é homem, mulher, ou um papagaio vestido de gente.

O que eu passo não chega aos pés do que muitas mulheres passam todos os dias, mas é uma prova de que a humanidade ainda tem muito a melhorar.

Feliz dia das mulheres para todas nós. Espero que um dia seja feliz de verdade.

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Alice 3 anos.

Quando Sofia nasceu fiquei um pouco decepcionada com o pé dela, comprido e magro. Não era pé de bebê. Eu queria um bebê para apertar e Sofia era magrinha.

O problema do pé foi resolvido quando Alice nasceu. Ela era magrinha como Sofia, mas tinha o pé redondinho de bebê.

Mas daí eu já era apaixonada pela Sofia. Como ter espaço para mais uma figurinha? Então fomos nos conhecendo. Não foi, como foi como a Sofia, paixão a primeira vista. Não tenho o instinto materno tão apurado. Ou a pilha de preocupação não me deixou curtir o momento. Vá lá… duvido muuuito dessa de amor materno. Há o instinto de cuidar. Então logo depois de um longo período de namoro, posso dizer que realmente amo minhas filhas, com todas as suas idiossincrasias.

Alice também não foi fácil. Demorou a me dar beijinhos, a me abraçar. Hoje é um grude. Mas foi com ela que, pela primeira vez, misereei um beijo.

Mente o pai que diz que cria os filhos iguais. Não tem como. Nasceu o segundo a balança se desregula. Não há como cuidar o segundo da mesma forma que se cuidou do primeiro. Concessões são feitas.

Me lembro de Alice, bebezinha posando de filósofo alemão. Das poses que bati enquanto ela tomava o banho de sol. Ela sabe se expressar, faz caras e boca e cativa a todos. É só ver na escola. Não tem funcionário que não a conheça.

Aprendeu cedo a pedir “Por favor”, descobriu que acham fofinho e consegue tudo que quer. Obrigado também derrete corações.

Sabe tirar a irmã do sério, não admite ir para o castigo. Odeia tomar remédio. Chora como se estivesse sob tortura da inquisição espanhola.

Inventa palavras e palavrões: Poque! Paquibum! Junto com a irmã incendeiam a casa e nos deixam zonzos. Não são fáceis, mas não são malcriadas.

Ela tem gostos de criança, gosta de patinhos, cachorrinhos. Gosta de azul e amarelo e não liga em ser o príncipe da irmã, as vezes.

É preguiçosa. Não gosta de caminhar, guardar os brinquedos. Não obedece se acha que não precisa – até hoje, apesar das ameaças, come massinha.

E eu a amo cada dia mais…
Dia 4 ela fez aniversário. Três anos. Parecem três décadas. Foram anos vividos intensamente. Alice é uma criança intensa. Não sei o futuro dela, mas tem tudo para ser o que quiser na vida.

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